No alto, entre as nuvens fofas de algodão-doce, existia uma cidade extraordinária chamada Aerolândia. Lá, as casas brilhavam como joias e as pessoas voavam em pequenas plataformas silenciosas. No coração dessa cidade mágica, morava o Professor Bento, um inventor com cabelos tão despenteados quanto suas ideias. Ele era conhecido por suas engenhocas incríveis, mas a mais recente era a mais surpreendente de todas: a Máquina de Valores.
A Máquina de Valores era um aparato colorido, com tubos retorcidos e luzes piscantes, que o Professor Bento afirmava poder imprimir valores. Sim, você ouviu direito! Não dinheiro, nem brinquedos, mas coisas como Coragem, Amizade e Respeito.
Professor Bento, com um sorriso largo, explicou a Sofia, uma menina de olhos curiosos e cabelos cacheados que adorava visitar seu laboratório, e a Juba, seu assistente leão-marinho falante e um tanto desastrado, a função da máquina.
Sabe, minha querida Sofia, e você também, meu amigo Juba, disse o professor, estou cansado de ver as pessoas esquecerem o quanto é importante ser corajoso ou um bom amigo. Então, pensei: por que não tornamos esses valores algo que se possa ver, que se possa tocar?
Juba, que estava tentando equilibrar um rolo de fita métrica no nariz, fez um som de aprovação. Sofia estava fascinada.
Então, a máquina vai fazer a gente ter mais coragem, professor?, perguntou Sofia, os olhos arregalados.
Não exatamente, minha pequena exploradora. A máquina vai criar um símbolo. Um lembrete visual, explicou Professor Bento.
Ele apertou um botão e, com um zumbido suave, a Máquina de Valores cuspiu um pequeno disco brilhante com um desenho de um escudo. Coragem, murmurou o professor. Ele entregou o disco a Sofia.
Sofia guardou o disco e, no dia seguinte, na escola, sentiu um frio na barriga ao apresentar seu projeto sobre Aerolândia. Ela olhou para o disco no bolso e pensou: Este é o meu lembrete de coragem. Mesmo assim, suas pernas tremiam um pouco.
Juba, por sua vez, tentou usar um disco de Amizade para fazer novos amigos na feira de frutas flutuantes. Ele ofereceu o disco a um polvo vendedor, esperando uma amizade instantânea, mas o polvo apenas olhou para o disco e depois para os olhos amigáveis de Juba. Foi só quando Juba ajudou o polvo a organizar seus tentáculos que a verdadeira amizade começou a florescer.
Professor Bento observava. Ele percebeu que, embora os símbolos fossem bonitos e servissem como um bom lembrete, eles não eram a fonte dos valores. A coragem de Sofia veio do desejo de superar o medo, não do disco. A amizade de Juba com o polvo nasceu da sua gentileza e ajuda, não do símbolo impresso.
Minha máquina é fantástica para nos lembrar, disse o Professor Bento, reunindo Sofia e Juba. Mas os valores de verdade, eles não são impressos. Eles nascem de dentro de nós, das nossas escolhas, das nossas atitudes. A coragem é quando você decide enfrentar o medo, mesmo tremendo. A amizade é quando você estende a mão para ajudar alguém, sem esperar nada em troca.
Sofia e Juba entenderam. Os discos se tornaram seus pequenos tesouros, não porque lhes davam valores, mas porque os recordavam de que eles já possuíam essas qualidades. Eles começaram a distribuir os símbolos para as outras crianças de Aerolândia, explicando a elas que a verdadeira magia não estava nos discos, mas nas ações gentis, nas palavras de apoio e nos gestos de carinho que todos podiam compartilhar.
E assim, a Máquina de Valores do Professor Bento não imprimia valores, mas sim um convite. Um convite para que cada um descobrisse e cultivasse os valores maravilhosos que já moravam em seus corações, transformando Aerolândia em um lugar ainda mais brilhante e cheio de boas ações.