Na cidade flutuante de Flutuares, onde prédios brilhantes se erguiam entre as nuvens e as passarelas de energia cintilavam sob os pés, vivia uma pequena criatura chamada Lumi. Lumi era um ser gentil, com a pele que mudava de cor suavemente, como um arco-íris em miniatura, e olhos grandes e curiosos. No entanto, Lumi tinha um grande medo: a Câmara Ecoante. Era uma parte essencial de Flutuares, onde cristais especiais ressoavam para gerar a energia da cidade, mas os sons que vinham de lá eram estranhos e assustadores para Lumi, ecos misteriosos que pareciam sussurrar segredos sombrios.
Certo dia, um brilho estranho percorreu as ruas de Flutuares. A energia estava falhando! Professor Órion, um robô antigo e sábio, com engrenagens que zumbiam suavemente e uma luz amarela que piscava em sua cabeça, anunciou que um cristal central na Câmara Ecoante estava com defeito. Precisavam de um cristal de substituição, um cristal raro que só podia ser alcançado atravessando o coração da câmara.
— Quem se habilita a ir? — perguntou Professor Órion, sua voz metálica um pouco preocupada.
Um besouro bioluminescente chamado Flicker, que era amigo de Lumi e adorava explorar, voou rapidamente até o ombro de Lumi. Flicker brilhava com pequenas luzes coloridas e era sempre cheio de energia.
— Lumi, vamos! — zumbiu Flicker. — Eu vou com você!
Lumi sentiu um aperto na barriga. A Câmara Ecoante? Os ecos, os sussurros… Mas ver o Professor Órion tão apreensivo e sentir a cidade em apuros o fez pensar. Flutuares precisava deles.
— Eu… eu vou — Lumi disse, sua voz um pouco trêmula, mas firme.
Professor Órion sorriu. — Que bom, Lumi. Leve este mapa. E lembrem-se: o que parece assustador muitas vezes é apenas desconhecido.
Com o mapa em mãos e Flicker voando ao seu lado, Lumi respirou fundo e seguiu em direção à entrada da Câmara Ecoante. A medida que se aproximavam, os ecos começaram. Sons que pareciam passos gigantes, sussurros que pareciam chamar seu nome, e chiados que pareciam de criaturas misteriosas. Lumi encolheu-se, suas cores empalidecendo de medo.
— São só ecos, Lumi! — disse Flicker, voando em círculos para animá-lo. — Tente imitar um!
Lumi, hesitante, fez um pequeno som. Para sua surpresa, o eco voltou de uma forma engraçada, distorcida e um pouco boba. Isso o fez rir. Ele começou a fazer outros sons, e cada eco que voltava era único e divertido. A Câmara Ecoante não parecia mais tão assustadora.
Eles avançaram, seguindo o mapa do Professor Órion. Em um momento, uma passagem estreita com a escuridão os engoliu. Lumi sentiu o medo retornar.
— A gente não consegue ver nada! — ele exclamou.
Flicker, que era bioluminescente, começou a brilhar mais forte, iluminando o caminho. — Eu te ilumino, Lumi! É só um túnel, não tem nada de mais aqui!
Eles continuaram. Finalmente, alcançaram uma clareira onde um grande cristal brilhava. Era o cristal de reposição! Lumi pegou-o cuidadosamente. No caminho de volta, os ecos da Câmara Ecoante já não pareciam ameaçadores. Lumi até se divertia brincando com eles, enviando pequenos cantos e ouvindo as respostas engraçadas.
Ao retornar a Flutuares, a cidade estava quase no escuro. Lumi entregou o cristal ao Professor Órion, que rapidamente o instalou. Com um brilho suave, a energia de Flutuares voltou ao normal.
— Você foi muito corajoso, Lumi! — disse Professor Órion. — Enfrentou seu medo e salvou a cidade.
Lumi sorriu, suas cores vibrando novamente. Ele percebeu que a Câmara Ecoante não era um lugar assustador, mas sim um lugar de sons divertidos e ecos interessantes. O medo que ele sentia era apenas o medo do desconhecido. Agora, ele sabia que a coragem não era a ausência de medo, mas sim a vontade de seguir em frente, mesmo quando se tem medo. E com amigos como Flicker e a sabedoria do Professor Órion, qualquer aventura era possível.



















