Era uma vez, na pequena e aconchegante cidade de Águas Claras, um menino chamado Joca. Joca tinha nove anos, olhos curiosos e um amor imenso pelo Rio Verde, que serpenteava suavemente pela cidade. Todos os dias, depois da escola, Joca corria para as margens do rio, onde observava os peixes saltitantes e conversava em silêncio com sua amiga, a capivara Pipoca, que sempre aparecia para roer umas graminhas na beira.
Mas ultimamente, o Rio Verde não estava tão verde nem tão alegre. Garrafas plásticas, sacolas coloridas e outros objetos estranhos flutuavam preguiçosamente na água. Os peixes pareciam mais lentos, e Pipoca, antes tão brincalhona, agora passava mais tempo encolhida, com o olhar triste. O coração de Joca apertava cada vez que via um novo lixo boiando.
Um dia, Joca resolveu procurar Dona Aurora, a senhora de cabelos prateados que era dona da oficina de barcos mais antiga da cidade. Dona Aurora era uma inventora de mão cheia e contava as melhores histórias do Rio Verde de antigamente.
Bom dia, Dona Aurora!, disse Joca, com a voz um pouco preocupada. O Rio Verde está doente.
Dona Aurora, que estava consertando um remo, suspirou. É verdade, meu caro Joca. Lembro-me de quando as águas eram tão claras que podíamos ver o fundo. As pessoas não se importam tanto com a casa dos peixes e das capivaras, jogando lixo sem pensar.
Joca sentou-se num caixote. Mas o que podemos fazer? Não quero que o Rio Verde se torne um rio triste para sempre.
Dona Aurora, com um brilho nos olhos, pegou um caderno cheio de desenhos. Podemos fazer muito, Joca. O importante é começar. Olhe, tenho uma ideia aqui. Podemos criar uma armadilha flutuante, feita de materiais que não usamos mais, para recolher o lixo sem machucar os bichinhos do rio.
Joca ficou fascinado. Uma armadilha do bem! Que legal!
Nos dias seguintes, Joca e Dona Aurora trabalharam juntos. Com a ajuda de algumas cordas, boias velhas e redes de pesca abandonadas, eles construíram uma engenhoca engenhosa que flutuava e recolhia o lixo que descia o rio, sem prender os peixes ou a Pipoca. Eles mostraram a invenção para os moradores de Águas Claras.
No começo, alguns acharam engraçado, outros duvidaram. Mas Joca, com sua energia contagiante, e Dona Aurora, com sua sabedoria, convenceram a todos. Eles organizaram o Dia da Grande Limpeza do Rio Verde. Crianças, adultos e até os mais velhos se juntaram, cada um com sua função.
Foi um dia de muito trabalho, mas também de muita alegria. Joca e Dona Aurora guiaram a equipe, mostrando como a armadilha funcionava e como era importante separar o lixo para reciclagem. Pipoca, observando da margem, parecia mais animada, balançando o rabo na água.
Quando o sol começou a se pôr, uma grande parte do rio já estava visivelmente mais limpa. O cheiro de mato fresco substituiu o cheiro de lixo, e alguns peixinhos mais ousados já nadavam perto da superfície. A comunidade viu o resultado do esforço conjunto e sentiu orgulho.
A partir daquele dia, a cidade de Águas Claras nunca mais foi a mesma. As pessoas passaram a cuidar melhor do Rio Verde. Joca e Dona Aurora se tornaram heróis locais, e Pipoca, com o rio limpo, voltou a brincar e a se esbaldar nas águas claras. Eles aprenderam que, com trabalho em equipe e um pouquinho de criatividade, é possível limpar o mundo e manter a natureza feliz. E o Rio Verde, feliz, continuou a contar suas histórias, agora com águas limpas e cheias de vida, graças à Grande Limpeza.