Pedro morava na Vila dos Pescadores, um lugar onde o sol beijava o rio e as casas eram feitas de alegria. Mas quando o sol se punha, uma cortina escura caía sobre a vila e com ela, um medo enorme no coração de Pedro. Ele adorava brincar no dia, mas a noite era um mistério assustador. O único consolo era o feixe forte e constante do farol, que varria a escuridão do rio.
Uma noite, uma tempestade repentina e forte se abateu sobre a vila. Ventos uivavam e a chuva castigava tudo. De repente, a luz do farol piscou e se apagou. A vila mergulhou numa escuridão total, mais profunda do que o normal. Os pescadores, que já estavam no mar, ficariam perdidos sem a orientação do farol. O pai de Pedro, um pescador corajoso, estava preocupado.
— Precisamos levar esta peça nova para o faroleiro, no outro lado da floresta, disse o pai, olhando para a noite sem estrelas.
Pedro apertou os olhos, mas sabia que era importante. Ele era o mais rápido entre os meninos para atravessar a floresta durante o dia. Seria ele capaz de enfrentar a floresta escura agora?
Com o coração batendo forte, Pedro pegou a pequena caixa com a peça. Ele deu o primeiro passo hesitante para fora de casa. A floresta parecia um gigante adormecido e assustador. Mal ele havia entrado na trilha quando uma pequena luz piscou ao seu lado.
— Olá, Pedro, sou Lúcia, a vaga-lume mais curiosa da floresta, disse uma voz pequenina e cheia de brilho. — Ouvi que precisa de ajuda. O medo é como uma sombra, mas a luz da coragem sempre pode aparecer.
Pedro ficou surpreso. Lúcia não era nada assustadora, muito pelo contrário. Sua luzinha era reconfortante. Enquanto caminhavam, um barulho na folhagem chamou a atenção. De lá, saiu Tico, um tatu-bola com um sorriso largo.
— Ei, Pedro! Lúcia me contou. Eu conheço todos os atalhos e os caminhos seguros, mesmo na escuridão. Vamos juntos!
Com Lúcia iluminando um pouco à frente e Tico rolando e rindo ao seu lado, Pedro sentiu um calor no peito. Eles caminhavam pela floresta. Lúcia mostrava a Pedro as flores que brilhavam no escuro, pequenas plantas com luz própria que ele nunca havia notado. Tico o fazia rir com suas cambalhotas e o guiava por entre raízes e pedras com facilidade.
Pedro começou a ouvir a noite de outra forma. O uivo do vento parecia uma canção. Os grilos cantavam em coro. O cheiro de terra molhada e folhas era fresco e bom. Ele descobriu que a escuridão não era vazia, mas cheia de vida secreta. Pequenos animais dormiam, outros caçavam, e a floresta respirava em paz.
Ao chegarem ao farol, o faroleiro, Sr. Jonas, os recebeu com um abraço aliviado. Pedro entregou a peça. Rapidamente, Sr. Jonas consertou o farol, e um feixe potente de luz cortou a escuridão, alcançando o mar. Os pescadores da Vila dos Pescadores puderam retornar em segurança.
Na volta para casa, a escuridão ainda estava lá, mas o medo de Pedro havia diminuído. Ele agora via a noite como um amigo silencioso, cheio de maravilhas. Lúcia e Tico se despediram com promessas de novas aventuras noturnas. Pedro foi para sua cama, olhando pela janela. O farol brilhava, e a escuridão lá fora agora parecia guardar segredos convidativos, não mais assustadores. Ele havia descoberto que a maior luz não vinha do farol, mas da coragem que ele encontrou dentro de si mesmo.