Na Floresta Cintilante, onde as folhas sussurravam canções secretas e o rio espelhava o céu estrelado, moravam criaturas de todas as formas e tamanhos. Era um lugar mágico, não por feitiços, mas pelo brilho suave que vinha de cada planta, como se pequenas estrelas tivessem caído e se aninhado ali.
Um dia, chegou à floresta Chico, o Cientista Mirim. Com seus óculos redondos e um caderninho de anotações sempre à mão, Chico era fascinado por tudo que brilhava. Ele veio para desvendar o segredo da luz da floresta.
Logo, Chico conheceu Lola, a Lontra Saltitante. Lola era pura energia. Seus dias eram passados em pulos acrobáticos sobre pedras lisas do rio e em corridas velozes pelas trilhas. Ela estava sempre com um sorriso no rosto e adorava um bom desafio.
Depois, encontraram Bento, o Bicho-Preguiça Artista. Bento era o oposto de Lola. Seus movimentos eram lentos e deliberados, e ele passava a maior parte do tempo pendurado em um galho, com seus pincéis e tintas naturais, observando o mundo com olhos sonhadores e capturando a beleza da floresta em seus desenhos. Ele achava que a vida devia ser apreciada em cada detalhe, sem pressa.
Um dia, Chico notou algo estranho. O brilho da Floresta Cintilante estava diminuindo. As plantas não cintilavam como antes, e a atmosfera parecia um pouco mais apagada. Lola, sempre ativa, sentiu a diferença na energia do ar. Bento, embora lento, também percebeu que as cores em sua paleta pareciam menos vibrantes.
Chico, folheando seu caderninho, lembrou-se de suas observações. Ele havia notado que, quando Lola e outros animais estavam mais ativos, a floresta parecia mais viva. Ele teve uma ideia!
Amigos, acho que descobri o segredo, disse Chico, ajustando os óculos. As sementes de luz que dão brilho às plantas precisam de um nutriente especial, energia de movimento! Quando nos movemos, liberamos uma energia que a floresta absorve e transforma em brilho!
Lola arregalou os olhos. Ah, então é por isso que me sinto tão bem depois de pular? Vamos todos pular! Ela deu um salto triplo de empolgação.
Bento suspirou. Pular? Ah, amigos, meus braços foram feitos para segurar pincéis, não para saltos. Ele preferia a quietude para se concentrar em sua arte.
Mas a floresta precisa de nós, insistiu Chico. Que tal criarmos uma rotina de alegria, onde cada um faz o seu melhor movimento? Não precisa ser rápido ou forte, só precisa ser movimento.
Lola se aproximou de Bento. Que tal se você desenhasse os movimentos mais bonitos, e nós os faríamos para você? Assim, sua arte também faria parte da energia da floresta.
Bento pensou por um instante. Desenhar os movimentos? Isso soa interessante. Com um pequeno sorriso, ele concordou.
E assim, os três amigos começaram sua rotina de alegria. Lola ensinou saltos e corridas divertidas. Chico criava jogos de pular corda imaginária e alongamentos que pareciam imitar árvores crescendo. Bento, por sua vez, observava e desenhava os movimentos de seus amigos, transformando cada salto e esticamento em arte. Quando via um movimento que gostava, ele tentava fazer, devagar, com cuidado, e até ria de si mesmo.
Enquanto se exercitavam juntos, a Floresta Cintilante começou a brilhar mais e mais. Primeiro, um suave cintilar nas folhas mais próximas, depois, um resplendor caloroso que se espalhava por toda a floresta. As sementes de luz, nutridas pela energia do movimento e da alegria, dançavam no ar.
Bento, mesmo se movendo devagar, sentiu uma energia diferente em seu corpo. Ele descobriu que se exercitar não era só sobre velocidade, mas sobre bem-estar. Seus desenhos ficaram ainda mais vibrantes, cheios da vida que ele sentia.
A Floresta Cintilante voltou ao seu esplendor total, mais brilhante do que nunca. Chico, Lola e Bento aprenderam que a união, a alegria e o movimento, cada um ao seu modo, eram o verdadeiro segredo para manter a luz acesa, não só na floresta, mas também dentro de si mesmos. E a partir daquele dia, a Floresta Cintilante era um lugar de risos, brilho e muita, muita alegria em movimento.



















