Na Floresta Encantada das Cores, Tatá, um tatu-bola muito curioso, notava algo diferente no ar. As folhas das árvores, que antes tinham um verde mais fechado, agora pareciam vibrar com uma luz interna. Tatá rolava de um lado para o outro, seus olhinhos brilhantes tentando entender a mudança.
— O que está acontecendo, Beija? — perguntou Tatá a uma beija-flor ágil e colorida que voava rapidamente perto de uma flor que começava a desabrochar.
Beija, sempre em movimento, parou por um instante, batendo suas asinhas rapidamente. — É a primavera, Tatá! A estação das novas cores, do calor que volta e das flores que nascem!
Tatá ficou ainda mais curioso. Ele nunca tinha presenciado uma primavera de perto, pois era muito jovem. Ele ouvia histórias do Vovô Tatu, mas queria sentir e ver por si mesmo.
— Mas por que as cores estão voltando? E de onde elas vêm? — Tatá perguntou, observando um broto verdinho despontar de um galho seco.
Beija sorriu com a pontinha do seu bico. — Ah, Tatá, o grande Jequitibá sabe de tudo! Ele já viu muitas e muitas primaveras.
Tatá, com sua determinação de tatu-bola, decidiu ir até a árvore mais antiga e majestosa da floresta, o Jequitibá. Rolando pelo caminho, ele encontrou o Jequitibá com seus galhos que alcançavam o céu, e suas raízes que pareciam abraçar a terra.
— Grande Jequitibá, Beija me disse que você sabe o segredo das cores da primavera! — exclamou Tatá, que havia parado de rolar e estava bem perto do tronco imponente.
Uma voz suave e sábia, que parecia vir do próprio vento, respondeu: — Ora, Tatá, não é bem um segredo. É um presente da natureza. Depois do tempo de descanso do inverno, a terra se enche de energia. O sol volta com mais força, a chuva rega a terra e as sementes que dormiram começam a acordar.
O Jequitibá continuou: — Cada broto, cada folha nova, cada flor que se abre traz consigo uma cor que estava guardada, esperando o momento certo para se mostrar. É um ciclo de renovação, onde a vida floresce e se espalha por toda parte.
Enquanto o Jequitibá falava, Tatá sentiu a brisa morna e viu mais flores se abrindo ao redor, um espetáculo de amarelo, vermelho, azul e roxo. Beija, que havia seguido Tatá, agora voava alegremente de flor em flor, colhendo o néctar.
— É como se a floresta estivesse sorrindo com todas essas cores! — disse Tatá, maravilhado.
Beija pousou por um momento no ombro de Tatá. — E nós somos parte desse sorriso, Tatá! Cada um de nós, com nossa cor e nossa forma, ajuda a primavera a ser ainda mais bonita.
Tatá compreendeu que a primavera não era apenas um evento, mas um convite à vida, à alegria e à partilha. Ele e Beija passaram o resto do dia explorando a floresta que parecia ter ganhado vida nova, com o coração cheio de gratidão pelas cores e pela sabedoria do Jequitibá. A partir daquele dia, Tatá observou cada estação com novos olhos, sabendo que a natureza guardava sempre uma surpresa maravilhosa.