Em um futuro não tão distante, existia a magnífica Cidade Celeste, um lugar onde as casas flutuavam delicadamente no ar e as cores eram tão diversas quanto as estrelas no céu. Cada moradia tinha uma cor única, e as pessoas que lá viviam eram tão variadas quanto as suas residências. No coração dessa cidade vibrante morava Clara, uma jovem inventora com olhos curiosos e um sorriso fácil. Seu melhor amigo e assistente era o Robô Faísca, um companheiro metálico que zumbia de empolgação a cada nova descoberta.
Clara amava a Cidade Celeste, mas algo a incomodava. Ela notava que, apesar de toda a beleza das cores, algumas casas de tons mais escuros, como o azul-marinho profundo ou o roxo-beringela, pareciam mais isoladas. As famílias que moravam nelas, embora tão gentis e inteligentes quanto as outras, raramente eram convidadas para os grandes encontros nas praças flutuantes. As crianças dessas casas brincavam mais entre si, e Clara via uma pontinha de tristeza em seus olhos.
Um dia, enquanto observava o pôr do sol tingir o céu com um caleidoscópio de cores, Clara perguntou a Faísca: Por que algumas cores são tratadas de forma diferente aqui? Faísca, com seus sensores piscando, respondeu com dados sobre a pigmentação, mas Clara sabia que a questão era mais profunda. Ela decidiu então procurar Seu Pedro, um professor aposentado que morava em uma casa verde-esmeralda, conhecida por suas histórias e sua vasta sabedoria.
Seu Pedro, com seus cabelos brancos e seu olhar caloroso, ouviu Clara com atenção. Ah, minha jovem, disse ele, essa história é antiga como o vento. Houve um tempo em que as pessoas acreditavam que certas cores eram melhores que outras. Esqueciam que a beleza de um arco-íris só existe quando todas as cores estão juntas. Ele contou a Clara sobre a época em que a Cidade Celeste era apenas uma planície cinzenta, e como a diversidade de ideias e pessoas de diferentes origens a transformou nesse lugar maravilhoso e colorido. A essência do nosso lar é a união de todas as tonalidades, não a separação.
Inspirada pelas palavras de Seu Pedro, Clara teve uma ideia brilhante. Ela e Faísca passaram dias trabalhando em seu laboratório, desenvolvendo pequenos dispositivos que, quando ativados, fariam as cores das casas pulsarem em harmonia, criando um espetáculo de luzes e tons que se misturavam e dançavam. Eles chamaram seu projeto de Festival das Cores Unidas.
Com a ajuda de Seu Pedro, Clara e Faísca espalharam a notícia sobre o festival. No dia marcado, a Cidade Celeste brilhou como nunca. As casas de todas as cores se iluminaram, e as luzes se entrelaçavam, mostrando que cada tom realçava a beleza do outro. As crianças, vendo a magia das cores se unindo, começaram a correr e brincar juntas, trocando abraços e risadas. As famílias que antes se sentiam isoladas se misturaram às outras, compartilhando histórias e comidas. O ar estava repleto de música e alegria.
Naquele dia, todos aprenderam uma lição valiosa. A verdadeira beleza não está em uma única cor, mas na união de todas elas. A Cidade Celeste, antes dividida por tonalidades, transformou-se em um farol de aceitação e amizade. Clara, Faísca e Seu Pedro observavam, sorrindo, sabendo que o brilho mais intenso vinha dos corações de cada morador, agora unidos em um só vibrante e lindo arco-íris de humanidade.



















