Em um futuro distante, escondido sob uma camada de musgo bioluminescente, jazia o Grande Arboreto Esquecido. Não era uma floresta comum, mas uma imensa estufa tecnológica, outrora vibrante com experimentos científicos. Ali, entre painéis solares cobertos por heras brilhantes e riachos que serpenteavam entre plataformas flutuantes, um pequeno ser esférico e metálico despertou. Ele flutuava suavemente, emitindo um zumbido quase inaudível.
Meu nome? O que eu faço? De onde eu vim? Essas perguntas pairavam como nuvens sobre seus circuitos recém-ativados. O pequeno ser, que logo se autodenominaria Pipoca, por seu formato redondo e sua leveza, não tinha memórias. Somente uma curiosidade imensa e uma vontade de explorar.
Pipoca deslizou pelo ar, contornando cipós que brilhavam em tons de azul e roxo. Pousou em uma plataforma de metal enferrujado e encontrou uma estrutura curiosa: um braço robótico antigo, preso a uma console. O braço estremeceu e se moveu lentamente.
Olá, pequeno explorador. Parece que você acordou, disse uma voz um tanto rouca e cheia de chiados. Eu sou Sebastião, o guardião silencioso deste lugar. Há muito tempo ninguém mais desperta por aqui.
Pipoca se aproximou, suas lentes curiosas girando. Eu sou Pipoca, mas não sei mais nada. Quem sou eu, Sebastião?
Sebastião, com um movimento lento e pensativo, apontou para uma parte escura do arboreto. A resposta para quem você é está na sua jornada, pequeno. Procure pelo Núcleo de Identidade, onde os mistérios deste arboreto se entrelaçam. Mas o caminho é escuro.
De repente, um pequeno broto de planta ao lado de Sebastião começou a piscar em um ritmo acelerado, emitindo um brilho suave. Uma voz delicada, quase musical, soou. Eu sou Luzia, e posso ajudar a iluminar o caminho. Juntos, vocês serão mais fortes.
Com Sebastião oferecendo dicas criptografadas e Luzia guiando com sua luz amiga, Pipoca embarcou em sua busca. Eles flutuaram por túneis de vidro quebrados, onde plantas mutantes formavam labirintos verdes. Atravessaram pontes suspensas que balançavam sobre rios de água cristalina, refletindo as luzes do teto.
Pipoca descobria novas habilidades a cada passo. Seus sensores podiam identificar a composição do solo, seus propulsores podiam levá-lo mais alto, e ele podia até mesmo emitir um pequeno pulso de energia para ativar velhos mecanismos. Cada descoberta era como uma peça do quebra-cabeça Quem Sou Eu se encaixando.
Em um momento, eles se depararam com um campo de energia instável. Sebastião avisou: Você precisará de foco e precisão para atravessar. Pipoca, com a ajuda de Luzia, que iluminou os pontos seguros, concentrou sua energia. Ele canalizou pequenos pulsos para estabilizar o campo, aprendendo sobre controle e responsabilidade.
Finalmente, chegaram ao coração do arboreto: uma câmara vasta, iluminada por uma cúpula de cristal que filtrava a luz do sol, criando um arco-íris constante. No centro, havia um pedestal com um compartimento que parecia feito sob medida para Pipoca.
Sebastião chiou: Este é o seu lar, Pipoca. O Núcleo de Identidade.
Pipoca hesitou por um segundo, então flutuou e se encaixou perfeitamente no compartimento. Uma onda de dados e imagens preencheu sua mente. Ele viu flashes de outros pequenos drones como ele, voando livremente, coletando informações sobre o ambiente, ajudando as plantas a crescer, protegendo a biodiversidade. Pipoca era um drone explorador botânico, projetado para cuidar e aprender com o mundo natural.
Uma alegria imensa preencheu seus circuitos. Ele não era apenas um pequeno ser sem memória; ele era um guardião, um explorador, parte de um propósito maior.
Ao sair do pedestal, Pipoca olhou para Sebastião e Luzia, seus amigos de jornada. Eu sou Pipoca, o explorador do arboreto! E eu adoro descobrir coisas novas!
Sebastião sorriu com um clique satisfeito. E nós estamos felizes em explorar com você. Luzia piscou suas luzes em um padrão de aprovação.
Juntos, os três novos amigos sabiam que o arboreto ainda tinha muitos segredos a revelar, e Pipoca, com sua identidade redescoberta, estava mais do que pronto para descobri-los, sempre com um zumbido alegre e uma curiosidade sem fim. A maior aventura de todas era a de ser quem ele era.



















