No fundo do vasto oceano, onde o sol não alcançava, vivia uma pequena criatura chamada Lumi. Seu corpo brilhava com uma luz suave e colorida, diferente de todos os seres marinhos ao seu redor. Os peixes-lanterna tinham luzes fixas, os vermes tubulares eram imóveis, mas Lumi pulsava em tons de azul e verde, como uma estrela cadente subaquática. Essa diferença fazia Lumi se perguntar constantemente: quem sou eu? Eu sou um peixe? Eu sou uma planta que se move? Eu sou um pedaço de luz que ganhou vida?
Um dia, Lumi decidiu que precisava de respostas. Nadou até a morada do Professor Estevão, um sábio Peixe-Espada-Astrônomo, cujo bico longo apontava para as estrelas que ele observava nas raras vezes em que subia à superfície. Professor Estevão, com seus olhos grandes e pacientes, ouviu a angústia de Lumi.
Meu jovem Lumi, disse o Professor Estevão com uma voz calma, a resposta para quem somos está em nossa jornada. Suba. Explore. O oceano é vasto e cheio de maravilhas que podem te mostrar quem você é de verdade.
Com coragem em seu coraçãozinho luminoso, Lumi começou sua ascensão. Encontrou cardumes de peixes de escamas prateadas que passavam como nuvens cintilantes. Viu águas-vivas dançando em balé lento. Cada encontro trazia uma nova pergunta, mas também um pouco de alegria.
Mais acima, onde os raios de sol filtravam como fios de ouro, Lumi encontrou Malú, um Golfinho-Saltitante, que rodopiava e brincava. Malú, com um sorriso largo, contou histórias sobre um mundo onde o céu era azul e o sol aquecia tudo. Malú descreveu as criaturas que pulavam acima da água e como o mundo era grande e cheio de formas diferentes.
Lumi ouviu atentamente. Viu como Malú era diferente dos peixes-lanterna, diferente do Professor Estevão, e diferente de si mesma. Mas Malú era feliz em ser um golfinho. Lumi percebeu que a beleza não estava em ser igual aos outros, mas em celebrar sua própria natureza. Sua luz não era um mistério a ser resolvido, mas um presente a ser compartilhado.
Quando Lumi finalmente alcançou a camada mais superficial do oceano, olhou para cima e viu a luz dourada do sol se derramar sobre a água. Pequenas ondas dançavam e, por um instante, um grupo de gaivotas voou no céu azul. Lumi sentiu uma paz profunda. Não precisava ter um nome exato ou uma categoria. Era Lumi, a criatura luminosa do oceano, única e cheia de propósito. Sua luz brilhou ainda mais forte, não mais buscando uma resposta, mas celebrando a beleza de ser apenas… Lumi. E isso era mais que suficiente.