Era uma manhã de orvalho cintilante na Floresta Alegre, e Quincas, um quati jovem com o focinho sempre curioso, sentia um friozinho na barriga. Era o seu primeiro dia na Escola da Floresta Alegre, e ele imaginava de tudo um pouco: desde aprender a contar as folhas das árvores mais altas até descobrir o segredo dos fungos brilhantes. Mas, acima de tudo, ele se perguntava como seria fazer novos amigos.
Ao sair de sua toca aconchegante, Quincas encontrou Dona Flora, a jabuti mais antiga e sábia da floresta, que já tomava seu sol matinal.
Bom dia, Quincas, disse ela com sua voz lenta e calma. Vejo uma empolgação misturada com um pouco de nervosismo em seus olhos. É o primeiro dia de aula, não é?
Quincas balançou a cabeça, suas listras marrons parecendo ainda mais escuras com a preocupação.
Dona Flora sorriu. Todos nós sentimos um friozinho na barriga quando começamos algo novo. Mas a Escola da Floresta Alegre é um lugar de descobertas e muitas risadas. Você vai ver.
Enquanto Quincas seguia pela trilha perfumada de terra molhada e flores selvagens, ouviu um zumbido alegre vindo de cima. Era Pipoca, a bem-te-vi, que descia em voo rasante, quase encostando em seu chapéu imaginário de folhas.
Quincas! Quincas! Gritou Pipoca, que pousou num galho bem pertinho. Está preparado para o grande dia? Ouvi dizer que a Professora Coruja vai ensinar a diferença entre os sons do vento e o canto dos vaga-lumes. Não é demais?
A alegria contagiante de Pipoca fez Quincas sorrir um pouco mais. A escola parecia menos assustadora com amigos por perto.
Ao chegarem à Escola da Floresta Alegre, Quincas viu que era um lugar incrível. As salas de aula eram espaços abertos sob a copa das árvores gigantes, e o quadro-negro era uma rocha lisa coberta de musgo. Muitos filhotes de diversas espécies já estavam lá: esquilos, capivaras, tucanos, todos com seus olhinhos curiosos.
Quincas sentiu o friozinho na barriga voltar. Ele se encolheu um pouco atrás de uma árvore. Dona Flora, vendo sua hesitação, aproximou-se devagar.
Lembre-se, meu jovem, disse ela, a coragem não é a ausência de medo, mas sim a vontade de seguir em frente apesar dele. E Pipoca, sempre atenta, completou: E se precisar de uma mãozinha, ou melhor, uma patinha ou uma asinha, estamos aqui!
Com um sopro de coragem, Quincas se aproximou. A Professora Coruja, com seus óculos redondos e olhar gentil, deu as boas-vindas a todos. A primeira atividade era apresentar-se e desenhar a parte favorita da floresta. Quincas, ainda tímido, desenhou um riacho onde ele gostava de pescar pequenos insetos.
Durante o recreio, Quincas notou um guaxinim sozinho perto de um arbusto. Era Joca. Quincas, lembrando-se das palavras de Dona Flora e do entusiasmo de Pipoca, respirou fundo e foi até ele.
Oi, meu nome é Quincas, disse ele, um pouco sem jeito. Quer jogar bola de pinha?
Joca, que também estava um pouco tímido, abriu um sorriso. Sim, claro!
E assim, entre risadas e pinhas rolando, Quincas descobriu que a escola não era apenas um lugar de aprender, mas também um lugar para fazer amigos incríveis e criar novas aventuras a cada dia. Seu coração de quati estava cheio de alegria e a certeza de que os primeiros dias na escola seriam apenas o começo de muitas descobertas maravilhosas.



















