Bento era um menino de riso fácil, mas com um narizinho muito exigente. Ah, como ele tinha nojo de certas coisas! O cheiro de queijo forte o fazia torcer o rosto, e uma minhoca molhada? Argh! Nem pensar em tocar! Sua aventura favorita era na Floresta Aromatizada, um lugar onde cada folha e cada flor parecia contar uma história de perfume.
Um dia, enquanto caminhava com seu amigo Pingo, um tatu-bola esperto que adorava cavar, Bento encontrou uma poça de lama escura, borbulhante e com um cheiro… peculiar. Um cheiro que o fez recuar, o nariz franzido e um grito de nojo escapou de seus lábios: Eca! Que nojo!
Pingo, sempre curioso, aproximou-se da poça e começou a farejar. Não é nojo, Bento, é vida! guinchou Pingo, com seu jeitinho engraçado.
Bento olhou para Pingo com desconfiança. Como assim, vida? Isso aí é só um monte de coisa… nojenta!
De repente, uma voz suave e risonha surgiu de trás de um arbusto de jasmim. Ora, ora, o que temos aqui? Um detetive de cheiros e seu amigo farejador! Era Dona Cotinha, a guardiã da Floresta Aromatizada, uma senhora de olhos brilhantes e um chapéu adornado com folhas secas.
Dona Cotinha, essa poça está com um cheiro horrível! E a lama é tão… nojenta! reclamou Bento, apontando para a poça com um graveto.
A velha senhora sorriu. Nem tudo que parece feio ou cheira diferente é ruim, meu querido Bento. Essa poça que você chama de nojenta é o lar de muitos seres que ajudam a nossa floresta a crescer forte e saudável. Veja bem, a lama guarda a água para as raízes das árvores nos dias de sol quente, e aquele cheiro que você sente é de micro-organismos trabalhando para transformar folhas velhas em adubo novo.
Bento se aproximou com cautela, Pingo ao seu lado. Ele olhou mais de perto. Pequenas bolhas subiam à superfície da lama. Minúsculos insetos voavam em volta. Ele não via minhocas, mas imaginou que deviam estar lá, fazendo seu trabalho silencioso.
A floresta é como uma grande orquestra, continuou Dona Cotinha. Cada instrumento, cada cheiro, cada textura tem sua própria parte a tocar. Se um cheiro não parece bom para nós, pode ser o perfume mais delicioso para uma borboleta ou um alerta importante para um animal. E a lama, ah, a lama! Ela nutre as sementes e é um refúgio para sapinhos e girinos.
Bento estendeu a mão lentamente e, com um suspiro de coragem, tocou a lama. Não era pegajosa como ele imaginava. Era fresca e macia. Não era tão nojenta assim! Ele até sentiu um leve formigamento de vida ali.
Ele olhou para Dona Cotinha, depois para Pingo, que o observava com um sorriso de tatu. Talvez… talvez o nojo seja só a gente sem conhecer bem as coisas, disse Bento, pensativo.
Dona Cotinha assentiu. Exato! Às vezes, o que nos causa nojo é apenas o desconhecido. A vida é cheia de surpresas, e cada cheiro, cada textura, nos ensina algo novo. O importante é estar aberto a descobrir.
De repente, um aroma delicioso de bolo de cenoura com canela flutuou no ar. Dona Cotinha riu. Acho que meu bolo está pronto! Que tal vocês virem provar um pedaço?
Bento, com um novo brilho nos olhos e sem o nariz torcido, seguiu Dona Cotinha e Pingo. Ele ainda não era fã de cheiro de queijo forte, mas agora sabia que nem tudo que o fazia sentir nojo era realmente algo a ser temido. A Floresta Aromatizada tinha lhe ensinado uma lição valiosa: a curiosidade pode transformar o nojo em uma divertida descoberta. E um bolo quentinho, bem, esse cheiro era sempre bem-vindo!



















