Nas margens do grande Rio Cintilante, existia um lugar mágico chamado Mercado Fluvial. Canoas coloridas deslizavam suavemente, transformadas em lojas vibrantes que vendiam de tudo um pouco: frutas doces, tecidos com cores de arco-íris e esculturas de madeira. No meio de tudo isso, estava a Livraria Flutuante de Beto, a Capivara. Beto era conhecido por sua calma e por seus ótimos livros, mas acima de tudo, por sua integridade.
Um dia, Dona Jurema, uma artesã muito talentosa, trouxe um colar especial para Beto. Era feito de sementes de tucumã, cada uma lapidada para brilhar como pequenas estrelas. Ela queria que Beto o mostrasse em sua livraria, pois confiava muito nele. Beto colocou o colar com cuidado em um pequeno expositor de madeira, bem no balcão principal.
Perto dali, em sua canoa-oficina, Lila, uma menina de cabelo crespo e olhos curiosos, estava ocupada com sua nova invenção. Era uma pequena câmera de observação, que ela chamava de Olho de Pássaro, feita para registrar os pássaros raros que visitavam o mercado. Enquanto ajustava o foco, ela sem querer apontou a câmera para a livraria de Beto.
Kiko, o Quati Artista, animava o mercado com seu violãozinho e suas canções alegres. Ele tinha um chapéu de palha charmoso e era conhecido por sua agilidade. Naquele momento, ele estava ensaiando uma nova melodia perto da livraria de Beto, mas de repente viu um galho grande prestes a cair sobre uma barraca de frutas. Preocupado, Kiko correu para avisar.
Quando Beto foi mostrar o colar para um cliente, ele percebeu que o expositor estava vazio! O colar havia desaparecido. Um murmúrio de preocupação começou a se espalhar. Alguém tinha roubado o colar de sementes!
— Onde está o Kiko? — perguntou um comerciante, olhando desconfiado.
— Ele estava por aqui há pouco tempo, correndo como um raio! — disse outro.
Beto, embora triste, pediu calma. Ele sabia que Kiko era levado, mas não achava que ele faria algo assim. Lila, ouvindo a confusão, lembrou-se de sua câmera. Ela correu para sua canoa e rebobinou as imagens. Lá estava! A câmera tinha gravado tudo.
Na tela, um pequeno ponto prateado se moveu rapidamente perto do colar. Não era Kiko. Era um peixe-elétrico muito curioso, com escamas brilhantes, que tinha saltado da água, pegado o colar e mergulhado novamente, pensando que era um brinquedo cintilante para seu ninho no fundo do rio. O peixe adorava tudo o que brilhava! A gravação também mostrava Kiko correndo para alertar sobre o galho.
Lila mostrou as imagens a todos. A surpresa foi geral!
— Kiko não roubou o colar! — exclamou Lila. — Foi um peixe-elétrico que o levou por engano!
Kiko, que estava escondido e muito triste com as acusações, apareceu. Aliviado, ele explicou sobre o galho que quase caiu. Beto, com um sorriso gentil, agradeceu a Lila por sua perspicácia e a Kiko por sua preocupação. Juntos, eles pensaram em como recuperar o colar. Com a ajuda de um pescador gentil, o colar foi encontrado no ninho do peixe-elétrico, que o havia guardado cuidadosamente entre pedrinhas brilhantes.
Dona Jurema ficou muito feliz ao ter seu colar de volta. O Mercado Fluvial das Águas Cintilantes aprendeu uma lição importante naquele dia. Não se deve julgar as pessoas sem saber a verdade, e a honestidade e a verdade sempre aparecem, mesmo que demorem um pouco. Beto, Lila e Kiko se tornaram ainda mais amigos, e o peixe-elétrico, que ganhou um presente brilhante, continuou a nadar feliz, sem mais pegadinhas com objetos alheios.