Era uma vez, no coração da Floresta Sussurrante, onde as árvores gigantes cochichavam segredos e os rios cantavam melodias suaves, viviam três amigos muito especiais. Havia Bento, um menino de cabelos castanhos e olhos curiosos, que adorava explorar cada trilha e descobrir os mistérios da mata. Companheira de Bento era Flora, uma garça elegante de penas brancas como a neve, que sempre flutuava perto dos rios, observando o mundo com sua sabedoria tranquila. E, claro, havia Juba, um jovem jacaré de escamas verdes brilhantes, com um sorriso largo e uma energia que não cabia em si.
Juba era um amigo leal e muito divertido, mas tinha um pequeno problema. Quando ficava animado, o que acontecia muitas vezes, suas brincadeiras podiam ser um pouco bruscas. Se ele queria chamar a atenção de Bento para uma borboleta colorida, dava um tapinha forte demais no ombro. Se Flora demorava para pegar um peixe, Juba, sem querer, empurrava a água com a cauda e assustava os peixinhos. Ele não tinha a intenção de machucar, mas sua empolgação às vezes o fazia esquecer de ser gentil com sua grande força.
Bento e Flora conversavam com Juba.
Amigo Juba, disse Flora com sua voz suave, sua força é incrível, mas precisamos usá-la com carinho.
É verdade, completou Bento, quando você empurra ou bate, mesmo de brincadeira, pode doer. Queremos que você se divirta com a gente, mas sem machucar.
Juba ouvia, meio envergonhado, e prometia tentar. Mas, como todo amigo que está aprendendo, às vezes ele esquecia.
Um dia, enquanto exploravam uma clareira escondida, eles fizeram uma descoberta preocupante. Uma rara e linda Orquídea do Sol, cujas pétalas brilhavam como raios dourados, estava murchando. Suas folhas estavam pálidas e secas.
Oh, não, exclamou Flora. A Orquídea do Sol! Ela precisa de um orvalho especial que só pode ser coletado ao amanhecer, das folhas da Árvore Centenária, que fica no topo da Colina Murmurante.
A Árvore Centenária era a mais alta da floresta, e para alcançá-la, era preciso atravessar uma rede de cipós finos e frágeis que serviam de ponte sobre um pequeno riacho. A tarefa exigia delicadeza e precisão.
Ao amanhecer do dia seguinte, com os primeiros raios de sol pintando o céu de laranja e rosa, os três amigos se puseram a caminho. Bento carregava um pequeno cesto de vime, Flora guiava o caminho com sua visão aguçada e Juba, com sua força, ajudava a desviar galhos e pedras.
Quando chegaram aos cipós, Juba, animado com a altura e a beleza do orvalho brilhando nas folhas da árvore, esqueceu-se da lição.
Deixa comigo! gritou Juba, e avançou rapidamente pelos cipós.
Mas seus passos pesados e sua cauda balançando fizeram a ponte de cipós balançar violentamente. O cesto na mão de Bento quase escorregou!
Juba, cuidado! Você vai derrubar o orvalho! disse Bento, segurando firme o cesto.
Flora, com calma, pousou ao lado de Juba.
Meu caro Juba, ela disse, às vezes a maior força é a delicadeza. Para alcançar o orvalho, precisamos de leveza, não de pressa. A Orquídea do Sol é frágil, assim como a nossa amizade precisa de cuidado.
Juba parou. Ele olhou para o cesto, para Bento e para Flora. Ele entendeu. Aquele quase acidente o fez pensar. Ele respirou fundo, e em vez de usar sua força para apressar, ele a usou para estabilizar os cipós, movendo-se com um cuidado que ninguém imaginaria que um jacaré pudesse ter.
Com a nova delicadeza de Juba, eles conseguiram chegar à árvore, coletar o orvalho precioso e trazê-lo de volta para a Orquídea do Sol. Com algumas gotas do orvalho precioso, a orquídea reviveu, suas pétalas douradas voltaram a brilhar mais fortes do que nunca.
Juba aprendeu a lição mais importante de todas. Ele descobriu que sua força não era para bater ou empurrar, mas para proteger, ajudar e ser gentil. Seus abraços de amigo se tornaram os mais suaves e carinhosos da Floresta Sussurrante, e suas brincadeiras, embora ainda cheias de energia, eram sempre feitas com muito cuidado e respeito. A floresta inteira parecia sorrir com a gentileza do jacaré, mostrando que o maior poder de todos é a bondade.



















