História Infantil sobre mentira – O Segredo da Floresta Cintilante
Na vastidão verde da Floresta Cintilante, onde cada folha parecia esconder um pedacinho de luz e os rios cantavam melodias suaves, vivia uma anta jovem chamada Pipoca. Pipoca tinha um narizinho que farejava as mais deliciosas frutas e um coração enorme, mas, às vezes, tropeçava em suas próprias palavras. Seu melhor amigo era Jubileu, um macaco-prego ágil e curioso, que passava os dias pulando entre os cipós da enorme Árvore dos Murmúrios, o lar da sábia Dona Jurema, uma coruja de olhos brilhantes que sabia todos os segredos da floresta.
Certa manhã, enquanto explorava um canto distante da floresta, Pipoca descobriu uma fruta que nunca tinha visto antes. Ela era redonda e roxa, com uma casca que parecia cintilar sob o sol. Curioso, ele a abriu e provou um pedacinho. Hummm! Era a coisa mais doce e suculenta que já havia comido. Tão deliciosa que ele pensou: se eu contar para o Jubileu, vou ter que dividir.
Quando Jubileu apareceu, saltitando de galho em galho, seus olhos curiosos logo viram a fruta incomum nas patas de Pipoca. Que fruta é essa, Pipoca? Parece tão bonita! perguntou Jubileu, aproximando-se.
Pipoca engoliu em seco. Um pensamento rápido e um tanto levado surgiu em sua mente. Ah, Jubileu, essa fruta? Ele fez uma careta. É muito amarga, não vale a pena provar. Eu só estou cheirando porque tem um cheiro estranho.
Jubileu franziu o cenho. Amarga? Mas parece tão boa!
Pipoca confirmou, balançando a cabeça. Muito amarga. Quase me fez chorar.
Jubileu, que confiava em seu amigo, encolheu os ombros e foi procurar outras aventuras, mas a curiosidade ficou. Mais tarde, ele perguntou à Dona Jurema sobre frutas roxas e cintilantes. A coruja ouviu com atenção, seus olhos dourados observando o macaco. Aquela é uma fruta rara e doce, Jubileu, uma das mais saborosas da floresta. Por que a pergunta?
Jubileu explicou o que Pipoca havia dito. Dona Jurema apenas sorriu suavemente. Ela entendia que às vezes a verdade se esconde por trás de um pequeno engano.
Naquela noite, sob a luz suave dos vaga-lumes, Dona Jurema chamou Pipoca e Jubileu para perto da Árvore dos Murmúrios. Ela não mencionou a fruta ou a mentira de Pipoca. Em vez disso, ela começou a contar uma história antiga, com sua voz calma e serena.
Era uma vez, no coração de uma montanha, duas fontes. Uma jorrava água pura e cristalina, que descia a montanha em um riacho claro, alimentando todas as plantas e animais em seu caminho. A outra fonte, por preguiça, tentou esconder-se sob uma pedra enorme. Ela dizia para si mesma que ninguém precisava de sua água, que ela poderia ficar ali paradinha. Mas a água pura sempre encontra um caminho, por menor que seja. Ela gotejava e escorria, mesmo sob a pedra, até que, com o tempo, a pedra se moveu um pouco e a água pôde fluir livremente, encontrando seu caminho até o riacho principal. A outra fonte, que se escondeu, acabou secando, pois a água parada não serve para nada, não ajuda ninguém a crescer.
Pipoca ouvia com atenção. Ele sentiu um nó no estômago. Aquela história parecia tão familiar. A verdade, como a água pura, sempre encontra seu caminho para fora, não importa o quão pequena seja a mentira que a tenta esconder. E uma mentira, mesmo que pequena, pode secar a confiança e a amizade.
No dia seguinte, Pipoca acordou sentindo um leve peso em seu coração. Ele encontrou Jubileu brincando perto do rio. Pipoca, com sua voz um pouco embargada, chamou o amigo. Jubileu, eu preciso te contar uma coisa. Aquela fruta roxa e cintilante que eu encontrei? Eu disse que era amarga, mas não é. É a fruta mais doce que já provei. Eu menti porque não queria dividir. Sinto muito.
Jubileu olhou para ele, primeiro surpreso, depois um sorriso suave apareceu em seu rosto. Ah, Pipoca! Eu já imaginava. Dona Jurema me contou sobre as frutas cintilantes. Mas fico feliz que você tenha me contado a verdade.
Pipoca sentiu um alívio enorme, como se um grande peso tivesse sido tirado de suas costas. Ele ofereceu a Jubileu o restante da fruta, que ainda tinha alguns pedaços. Juntos, eles compartilharam a delícia, rindo e conversando. Pipoca aprendeu que a verdade, mesmo que às vezes um pouco difícil de contar, sempre traz a melhor recompensa: a paz no coração e a força de uma amizade verdadeira. E na Floresta Cintilante, o brilho das folhas parecia ainda mais intenso naquele dia, refletindo a luz da honestidade.



















