Flora morava na Vila Lumina, um lugar especial onde as plantas brilhavam suavemente à noite. Mas, mesmo com tanta luz mágica, Flora tinha um segredo: ela morria de medo do escuro. Assim que o sol se punha, ela corria para debaixo de suas cobertas, perdendo a chance de ver sua vila se transformar em um jardim de estrelas cadentes terrestres. Ela fechava os olhos com força, imaginando formas estranhas nas sombras do seu quarto.
Um dia, sua avó, uma inventora muito esperta, presenteou Flora com Lumel. Lumel não era um animal, nem um brinquedo comum. Era um pequeno robô vaga-lume, com as asas translúcidas e um corpo que irradiava uma luz suave e personalizável.
Flora pegou Lumel, que flutuava levemente. Lumel piscou suas luzinhas em um padrão amigável.
Flora perguntou, com a voz baixinha: Lumel, você não tem medo do escuro?
Lumel respondeu com um zumbido gentil e uma sequência de luzes que pareciam dizer: O escuro esconde maravilhas, Flora. Basta ter um pouquinho de coragem para vê-las.
Naquela noite, Flora sentiu o coração apertado enquanto o último raio de sol sumia. Mas Lumel, com sua luz calmante, pousou em seu nariz. Flora riu um pouco.
Vamos, Flora, sussurrou Lumel com um som de ventoinha minúscula. Deixe-me mostrar o que você está perdendo.
Com Lumel a guiando, Flora lentamente tirou o rosto de baixo das cobertas. A luz suave de Lumel pintava as paredes do quarto com tons dourados e azuis. O que antes pareciam monstros agora eram apenas suas roupas na cadeira, ou o livro na estante. Lumel voou até a janela.
Lá fora, a Vila Lumina pulsava com uma sinfonia de luzes. As folhas das árvores, as flores nos canteiros, até mesmo os caminhos de pedra, tudo brilhava com um esplendor suave. Flora nunca tinha visto sua vila assim antes. De dia, era colorida e vibrante. À noite, era um mar de pontos luminosos, como estrelas que caíram na terra. Lumel ajustou sua luz, mostrando a Flora como as sombras dançavam e criavam novas formas divertidas. Um tronco de árvore virava um elefante dormindo, e as moitas de arbustos pareciam castelos em miniatura.
Flora abriu um sorriso. Ela percebeu que o escuro não era vazio ou assustador, mas um palco onde a luz podia brilhar de um jeito diferente e mágico. Ela e Lumel passaram horas na janela, observando o espetáculo noturno. Flora até deu um nome para as formas que encontrava nas sombras, como o Gorila da Guarda-Roupa e o Dragão da Cortina, que agora pareciam guardiões amigáveis.
Desde aquela noite, Flora nunca mais teve medo do escuro. Pelo contrário, ela esperava ansiosamente pela noite, para que ela e Lumel pudessem explorar as maravilhas luminosas da Vila Lumina. Ela aprendeu que a coragem não é a ausência de medo, mas a vontade de seguir em frente, mesmo com ele, para descobrir a beleza escondida. E que, às vezes, a luz mais bonita está justamente onde menos esperamos.



















