Num jardim secreto, escondido no topo de uma colina ensolarada, vivia Celeste, uma borboleta com asas que pareciam pequenos pedaços de arco-íris. Suas cores eram tão vibrantes que, ao voar, deixava um rastro de brilho e alegria por onde passava. Todas as manhãs, quando o orvalho ainda repousava nas folhas, Celeste dançava entre as flores, cumprimentando cada botão que desabrochava.
No mesmo jardim, havia Margarete, uma flor de laranjeira. Seus botões eram delicados e perfumados, mas ela não conseguia ver sua própria beleza. Em vez disso, seus olhos de pétalas estavam sempre fixos em Celeste. Margarete sentia uma pontada no caule toda vez que via a borboleta recebendo elogios das outras flores e dos pequenos beija-flores. Ah, como ela desejava ter asas tão coloridas! A inveja apertava suas folhas, fazendo-a sentir-se murcha e sem graça, mesmo exalando um perfume tão doce.
Seu Bento, o jardineiro que cuidava daquele paraíso, era um senhor com mãos calejadas e um coração de ouro. Ele notava o perfume de Margarete, mas também percebia que a flor parecia sempre com as pétalas um pouco caídas. Um dia, enquanto regava suas raízes, Seu Bento conversou com Margarete.
Olá, Margarete, por que essa carinha triste? Suas flores são tão lindas e seu perfume, ah, ele enche o ar com alegria! disse Seu Bento, com um sorriso gentil.
Margarete suspirou uma brisa suave. Ah, Seu Bento, eu sou só uma flor. Olhe para a Celeste, ela é tão colorida, tão livre! Todos a admiram. Eu sou tão… comum.
Seu Bento, que já havia visto muitas estações, sorriu. Margarete, você é única! Suas flores se transformarão em laranjas doces, que alimentarão muitos pássaros e até nós. Seu perfume atrai abelhas que ajudam todo o jardim. Celeste é linda, sim, mas ela tem o papel dela, e você tem o seu. O mundo seria muito sem graça se todos fossem iguais, não acha? A beleza está em ser quem você é.
As palavras de Seu Bento fizeram Margarete pensar. Ela nunca havia parado para considerar o quanto era importante para o jardim. Ela era responsável por futuros frutos, e seu perfume era um convite para a vida. A partir daquele dia, Margarete começou a se observar de um jeito diferente. Ela abriu suas pétalas com mais orgulho, deixando seu perfume se espalhar livremente. Ela percebeu que, ao invés de desejar ser Celeste, ela poderia ser a melhor Margarete possível.
As abelhas começaram a visitá-la com mais frequência, e seus botões floresceram com um brilho renovado. Um dia, Celeste pousou delicadamente em uma de suas pétalas.
Margarete, que perfume delicioso! disse Celeste, suas asas cintilando. Você está tão radiante hoje!
Margarete sentiu o calor do sol em suas pétalas e um calor ainda maior em seu caule. Obrigada, Celeste. Suas cores são maravilhosas, mas estou aprendendo a amar as minhas também.
A borboleta e a flor, que antes eram separadas pela inveja, descobriram que juntas podiam tornar o jardim ainda mais especial. Margarete percebeu que a verdadeira alegria não vinha de ser como outra pessoa, mas de abraçar sua própria essência e florescer em sua plenitude. E assim, o jardim secreto da colina ensolarada continuou a florescer, cheio de cores, perfumes e a doce melodia da amizade.