No coração da terra, bem onde os raios de sol não chegavam, morava Solano. Ele não era um menino, nem um animalzinho da floresta, mas uma semente. Uma semente de girassol bem curiosa e cheia de sonhos. Solano ouvia as vozes suaves das raízes mais velhas, que contavam sobre um mundo lá fora, um mundo de luz e calor, onde as sementes como ele se transformavam em flores gigantes, amarelas como o próprio sol.
Solano se sentia pequeno e, às vezes, um pouco com medo. Como ele, tão minúsculo e preso ali no escuro, poderia alcançar algo tão grande e brilhante? Seus dias eram preenchidos com pensamentos sobre o sol. Ele esticava um pouquinho sua casquinha, imaginando se aquilo o ajudaria a chegar mais perto.
Perto dali, uma eugenia antiga e frondosa, conhecida como Dona Juju, sentia a inquietação do pequeno Solano. Dona Juju tinha visto muitas estações passarem e sabia dos segredos da terra e do céu.
Pequeno Solano, ouviu sua voz suave e acolhedora, não tenha pressa. Para ver o sol, primeiro você precisa crescer forte aqui embaixo. Crie raízes profundas, pois elas serão o seu sustento.
Solano escutava, mas sua impaciência borbulhava como uma pequena bolha na terra. Foi então que apareceu Pedro, um beija-flor com penas de todas as cores do arco-íris e uma energia contagiante. Pedro era amigo de Dona Juju e vinha sempre beber o néctar das flores próximas. Ele era rápido, falante e cheio de histórias.
Ouvindo a conversa, Pedro, com seu voo ziguezagueante, disse: Ah, Dona Juju está certa, Solano! Mas lá fora é muito mais divertido do que aqui embaixo. O céu é azul como um oceano sem fim, as nuvens parecem algodão doce e o sol… ah, o sol é a coisa mais espetacular que existe! Ele pinta o mundo de dourado!
As palavras de Pedro eram como sementes de coragem para Solano. Ele imaginou o azul, o dourado, a vastidão. Sentiu uma nova energia. Começou a esticar não apenas sua casquinha, mas também a pequena raiz que brotava. Ele empurrava a terra com todas as suas forças minúsculas. Era um trabalho cansativo, mas a cada dia, Solano sentia uma pontinha de calor mais perto.
Dona Juju observava em silêncio, oferecendo sua sabedoria sem palavras, apenas com a presença forte e estável. Pedro, entre um voo e outro, vinha e dizia: Quase lá, Solano! O mundo te espera!
Finalmente, após dias de esforço e um pouquinho de medo, a casquinha de Solano rompeu a superfície. Ele sentiu um calor suave e uma luz que era diferente de tudo o que ele já tinha imaginado. Era o sol! Ele era apenas um pequeno broto verde, mas já podia vê-lo.
Dia após dia, Solano crescia. Ele se esticava, virando sua pequena folha sempre em direção ao sol, seguindo a luz como um mapa. Pedro, o beija-flor, vinha visitá-lo, sussurrando: Vire-se um pouco mais para a direita, Solano! Lá o sol está mais quentinho!
Com o passar do tempo, o broto verde de Solano se transformou em um caule forte e, então, uma flor desabrochou. Uma flor enorme e amarela, com pétalas que brilhavam como raios de sol. Solano havia se tornado um girassol magnífico, seu rosto sempre sorrindo para o céu.
Ele olhou para Dona Juju, a grande árvore eugenia, e para Pedro, o beija-flor que agora voava em volta de suas pétalas. Ele entendeu que a jornada, com toda a espera, o esforço e a ajuda dos amigos, era tão importante quanto chegar ao sol. Ele não era apenas uma flor; era um testemunho de coragem, paciência e amizade, iluminando o campo com sua beleza dourada. E a cada novo dia, Solano seguia o sol, grato por cada momento de sua incrível aventura.