No coração da exuberante Mata Atlântica, em um recanto especial conhecido como O Bosque do Sereno, vivia Marina, uma menina de cabelos castanhos e olhos curiosos, sempre atenta aos segredos da natureza. Seus melhores amigos eram Faísca, um esquilo agitado de cauda fofa, e Aurora, uma sábia coruja de penas cinzentas que observava tudo do alto de uma imponente paineira.
Ultimamente, Marina notava que Faísca não estava como de costume. Ele antes corria, saltava e gargalhava, mas agora parecia mais quieto, suas nozes favoritas não o animavam e, às vezes, ele se escondia atrás das árvores, com uma expressão de preocupação. Marina tentou perguntar, mas Faísca apenas encolhia os ombros, sem saber explicar o que sentia.
Preocupada, Marina decidiu procurar a Coruja Aurora. Ela voou suavemente até o galho onde Aurora estava, seus olhos grandes e dourados brilhando com uma sabedoria antiga.
Aurora, Faísca não está bem. Ele parece triste e agitado, mas não consigo entender o porquê, disse Marina com a voz suave.
A coruja piscou lentamente. Minha querida Marina, às vezes, o que nos incomoda não é visível. É como uma nuvem passageira que se forma dentro da nossa mente, explicou Aurora. Assim como cuidamos do nosso corpo, precisamos cuidar da nossa mente, da nossa saúde mental.
Marina inclinou a cabeça. Saúde mental? Como a gente cuida disso?
Aurora sorriu. É mais simples do que parece. É aprender a escutar o que o coração e a mente estão dizendo. Venha, vamos mostrar a Faísca.
Juntas, Marina e Aurora encontraram Faísca, que estava encolhido perto de um riacho, com uma noz intocada ao lado.
Olá, Faísca, disse Aurora com sua voz tranquila. Viemos te ajudar a afastar essa nuvem.
Faísca ergueu a cabeça, ainda um pouco apreensivo.
Aurora começou a ensinar. Primeiramente, precisamos aprender a respirar, como o vento suave que balança as folhas. Ela inspirou profundamente e soltou o ar devagar, mostrando a eles. Tentem fazer o mesmo, sintam o ar entrando e saindo, limpando a mente.
Marina e Faísca imitaram. Faísca, a princípio, com dificuldade, mas aos poucos sentiu um pequeno alívio.
Depois, Aurora apontou para o riacho. Observem a água. Ela corre e se move, mas no fundo, é sempre calma. Nossos pensamentos são como as folhas na água, vêm e vão. Não precisamos nos agarrar a todos eles. É bom apenas observar.
Marina e Faísca ficaram em silêncio, observando o riacho. Faísca começou a relaxar os ombros.
Aurora continuou. E o mais importante, Faísca, é falar sobre o que você sente. É como esvaziar um cesto pesado. Se estiver triste, com raiva ou com medo, fale com alguém em quem confia. Desenhe, escreva. Não guarde para você.
Marina abraçou Faísca. Eu sou sua amiga, Faísca. Pode falar comigo sempre.
Faísca sentiu um calor no coração. Ele começou a contar sobre como às vezes se sentia pequeno perto das árvores gigantes, ou como o barulho repentino de um galho caindo o assustava e ele ficava remoendo aquilo.
Aurora ouviu com atenção. É normal sentir essas coisas, pequeno Faísca. O importante é saber o que fazer quando elas aparecem.
Eles passaram a tarde praticando. Marina e Faísca sentaram-se sob uma árvore antiga, com troncos largos e raízes que pareciam grandes abraços. Eles respiravam juntos, observavam as borboletas e, quando Faísca sentia a nuvem voltar, ele lembrava das palavras de Aurora.
Um dia, enquanto caminhavam, descobriram uma clareira escondida, nunca antes vista por eles. Era um lugar onde as flores brilhavam com cores mais intensas, e o sol filtrava pelas folhas de uma forma linda e serena, criando um tapete dourado. Um cheiro suave de terra molhada e flores silvestres preenchia o ar. Lá, Faísca se sentiu completamente em paz. Era o Bosque da Calma, um lugar para recarregar as energias.
A partir daquele dia, Faísca sabia que cuidar da mente era tão importante quanto comer suas nozes e correr. Ele aprendeu a pedir ajuda, a respirar e a encontrar a sua própria clareira de calma, seja ela um lugar ou um momento de silêncio. Marina ficou muito feliz em ver seu amigo sorrindo novamente, com o coração leve. Ela aprendeu com Aurora que a verdadeira amizade também significa cuidar da saúde mental um do outro. E assim, no Bosque do Sereno, todos aprenderam a viver com mais harmonia e paz interior.