Na Cidade Cristalina, um lugar onde arranha-céus reluzentes se misturavam com jardins suspensos e rios de luz artificial, vivia um menino chamado Lucas. Lucas era um inventor de coração curioso e mãos rápidas. Seu melhor amigo e assistente era Sparky, um robô-passarinho que ele mesmo havia construído. Sparky não era como os outros robôs-animais da cidade. Ele tinha penas que mudavam de cor suavemente e olhos que piscavam com uma inteligência peculiar. Voava com elegância e trazia ferramentas, pequenos recados, e até mesmo um sorriso para o rosto de Lucas todos os dias.
Um dia, uma nova família mudou-se para o apartamento vizinho. Com eles, veio Nina, uma menina com cabelos cor de sol e um sorriso igualmente radiante. Nina também era uma inventora, e seu companheiro era Ágil, um drone aerodinâmico que deslizava pelo ar com uma velocidade impressionante, realizando piruetas e giros que faziam os outros drones da cidade parecerem lentos.
Lucas observou Nina e Ágil do seu terraço. Ágil parecia capaz de fazer tudo que Sparky fazia, e talvez um pouco mais. As crianças da Cidade Cristalina logo se aglomeravam para ver as demonstrações de Ágil, aplaudindo suas acrobacias. Lucas sentiu um aperto estranho no peito. Era um sentimento que ele não conhecia bem, uma vontade de que Sparky fosse o único centro das atenções.
Sparky, sempre atento aos sentimentos de Lucas, percebeu a mudança. As asas coloridas do robô-passarinho pareciam um pouco mais opacas. Ele tentou voar mais rápido, trazer as ferramentas com mais agilidade, mas às vezes, na pressa, acabava esbarrando em algo ou deixando cair um parafuso. Lucas, com os olhos fixos em Ágil, mal notava os esforços de Sparky, e isso deixava o pequeno robô ainda mais desanimado.
Uma tarde, a prefeita da Cidade Cristalina anunciou o Grande Desafio dos Inventores. A tarefa era criar algo que ajudasse a manter os jardins suspensos ainda mais bonitos e produtivos. Lucas e Sparky começaram a trabalhar, mas Lucas estava distraído, pensando em como o projeto de Nina e Ágil seria. Sparky, vendo a hesitação do amigo, tentou animá-lo. Ele piou melodias que Lucas havia programado e cutucou sua bochecha com o bico.
Lucas, finalmente, olhou para Sparky. Viu a lealdade nos olhos digitais do robô-passarinho e sentiu uma pontada de vergonha. Sparky era seu amigo, único e especial, e a chegada de Nina não mudava isso. Ele percebeu que o sentimento estranho em seu peito era ciúmes, e que não fazia sentido.
Nina, percebendo Lucas pensativo, aproximou-se. Ela não tinha notado o ciúme, apenas o via como um colega inventor. “Lucas, o que você está criando? Ágil e eu estamos pensando em um sistema de polinização de drones, mas está faltando uma parte que possa cuidar das flores mais delicadas”, disse ela com entusiasmo.
Lucas olhou para Sparky, que brilhava ao seu lado. “Sparky é expert em delicadeza”, ele sorriu. “Ele pode ser a peça que falta”. Juntos, os quatro — Lucas, Sparky, Nina e Ágil — uniram suas invenções. Sparky, com sua precisão e suavidade, cuidava das flores mais frágeis, enquanto Ágil cobria grandes áreas com sua velocidade. Lucas e Nina combinavam suas ideias, transformando o desafio em uma aventura compartilhada.
No dia da apresentação, o projeto combinado de Lucas e Nina foi um sucesso brilhante. A Cidade Cristalina nunca tinha visto uma colaboração tão bonita e eficaz. Lucas aprendeu que a amizade e a alegria podem ser compartilhadas e que a chegada de alguém talentoso não diminui o próprio brilho, mas pode, na verdade, fazê-lo brilhar ainda mais forte. Sparky, agora, voava ao lado de Ágil, e a amizade dos dois robôs, assim como a de Lucas e Nina, era um novo brilho na Cidade Cristalina.



















