Era uma vez, em um bairro vibrante do Rio de Janeiro, vivia Júlio, um menino com olhos curiosos que adorava observar o céu de sua janela. Nos últimos tempos, a chuva que caía parecia ter esquecido suas cores. As nuvens estavam sempre de um cinza monótono, e a água que molhava as plantas não tinha o brilho de antes. Júlio sentia que algo estava errado, a chuva parecia triste.
Ele então teve uma ideia brilhante. Lembrou-se de Dona Rosa, uma inventora muito famosa em São Paulo, conhecida por resolver enigmas do céu. Com todo o seu capricho, Júlio escreveu uma carta detalhada, explicando o sumiço das cores da chuva e pedindo ajuda.
Em sua oficina-laboratório, um lugar mágico cheio de engenhocas coloridas e luzes piscantes, Dona Rosa leu a carta de Júlio. Seu corvo, Trovão, um pássaro falante com um óculos de aviador no pescoço, grasnou animado.
Isto é um caso para nós, Trovão, disse Dona Rosa, com um brilho nos olhos.
Trovão balançou a cabeça, concordando.
Dona Rosa e Trovão começaram a trabalhar. Em pouco tempo, eles construíram a Nave Nuvem, uma máquina voadora colorida que parecia uma nuvem gigante, feita de materiais reciclados e muita criatividade. Era leve e podia navegar entre as verdadeiras nuvens.
A bordo da Nave Nuvem, eles subiram aos céus. Júlio, em sua janela no Rio, acompanhava tudo por uma tela que Dona Rosa havia enviado. Ele dava pistas e observações do que via lá de baixo.
Enquanto navegavam, perceberam que não era apenas o Rio que sofria. As nuvens em São Paulo também estavam pálidas. Eles voaram por corredores fofos de vapor e encontraram bolsões no céu onde as cores pareciam ter sido sugadas. Era como se alguém tivesse usado um aspirador gigante para roubar os tons vibrantes do azul, do verde, do amarelo e do vermelho que deveriam estar nas nuvens.
De repente, um rastro transparente passou veloz por eles. Trovão, com sua visão aguçada, gritou:
Lá está ele! O Sugador de Cores!
Era uma criatura quase invisível, feita de pura curiosidade e um pouco de travessura, que pensava estar apenas brincando de colecionar cores. Ele não tinha corpo fixo, parecia um redemoinho transparente que brilhava suavemente ao passar pelas nuvens.
Dona Rosa, com a ajuda de Júlio, elaborou um plano. Eles precisavam convencer o Sugador de Cores de que as cores ficam muito mais bonitas quando compartilhadas. Dona Rosa ativou um de seus inventos, um projetor de arco-íris. Ela apontou para o Sugador, que, atraído pelas luzes vibrantes, parou e começou a sugar os feixes de cor.
Mas, para sua surpresa, as cores não sumiam. Em vez disso, elas se espalhavam pelo céu, refletindo na criatura, tornando-a visível e incrivelmente colorida. O Sugador de Cores nunca tinha se visto tão belo. Ele começou a emitir sons de alegria, percebendo que as cores, quando irradiadas, eram muito mais deslumbrantes.
Com seu coração transformado, o Sugador de Cores devolveu todas as cores que havia guardado. As nuvens voltaram a ter tons de azul profundo e cinza perolado. As chuvas que caíram em seguida eram tão coloridas que pareciam pequenos arco-íris líquidos, fazendo as ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo brilharem.
Júlio, da sua janela, sorriu ao ver a chuva colorida. A cidade inteira parecia mais feliz. Dona Rosa e Trovão, a bordo da Nave Nuvem, acenaram para o menino. Eles sabiam que a beleza do mundo era algo para ser compartilhado, e que até mesmo a mais simples das chuvas podia trazer um toque de magia, sem precisar de feitiços, apenas de um coração aberto e muita cor.