Em um lugar ensolarado do Brasil, perto de uma floresta tão verde que parecia pintada, vivia Clara. Clara era uma menina de olhos curiosos e um sorriso fácil, que adorava passar as tardes às margens do Rio Sereno. O rio era seu amigo, um espelho prateado que refletia o céu e as árvores. Mas ultimamente, Clara percebia algo diferente. O Rio Sereno parecia mais baixo e sua água, antes tão límpida, agora tinha um tom um pouco opaco.
Um dia, enquanto observava o rio com uma pontinha de preocupação, Rodolfo, o capivara mais tranquilo e sábio da margem, se aproximou. Rodolfo tinha pelos macios e um olhar calmo, sempre atento a tudo.
Ah, Rodolfo, disse Clara com um suspiro. Nosso rio não está feliz, não é?
Rodolfo assentiu lentamente, mastigando uma folhinha verde. Ele sabia mais sobre o rio do que qualquer um.
A nascente está um pouco tristinha, Clara, grunhiu ele com sua voz grave e suave. Precisa de uma ajudinha.
Uma ajudinha? Onde fica a nascente? perguntou Clara, os olhos brilhando de curiosidade.
Rodolfo balançou a cabeça em direção à parte mais densa da floresta.
A nascente Escondida Nascente Cristalina é um segredo antigo, Clara. Poucos a conhecem. Mas Dona Jacira pode explicar.
Dona Jacira era uma jabuti centenária, com um casco listrado que contava histórias de muitos verões. Ela vivia perto de um ipê-amarelo gigante, e sua sabedoria era lendária. Clara e Rodolfo seguiram por uma trilha estreita e perfumada, até encontrarem Dona Jacira tomando um sol.
Olá, Dona Jacira, disse Clara. O Rodolfo disse que a senhora sabe sobre a nascente do Rio Sereno. Ele não está bem.
Dona Jacira piscou seus olhos antigos. Ah, a Escondida Nascente Cristalina, murmurou ela. É a vida do nosso rio. Ela nasce debaixo da grande rocha que parece um jacaré dormindo. Às vezes, as folhinhas e galhos que caem formam uma pequena barreira, e a água não consegue fluir com toda a sua força.
Clara sentiu uma chama de coragem acender em seu peito. Podemos ajudar?
Podemos, sim, disse Dona Jacira, levantando-se devagar. É preciso cuidado e trabalho em equipe.
Os três amigos iniciaram a jornada. A floresta parecia sussurrar segredos enquanto eles avançavam. Clara, com sua agilidade, Rodolfo, com sua força para abrir caminho entre as folhagens, e Dona Jacira, com sua sabedoria para guiar o grupo. Finalmente, chegaram a um lugar mágico. Havia uma grande rocha coberta de musgo verde e, abaixo dela, uma pequena abertura de onde a água cristalina brotava, formando um riacho. Mas, como Dona Jacira havia dito, um amontoado de folhas secas e galhinhos finos bloqueava parte do fluxo.
Olha só, disse Clara, apontando. É só um pouquinho.
Rodolfo usou seu focinho para empurrar alguns galhos maiores. Clara, com suas mãos pequenas e cuidadosas, removeu as folhas menores. Dona Jacira observava, orientando onde era melhor puxar e empurrar. Não demorou muito, e a pequena barreira foi removida.
Com um borbulhar suave, a Escondida Nascente Cristalina começou a liberar sua água com mais força. O riacho antes pequeno, agora fluía com um vigor renovado, cantando uma canção alegre enquanto seguia seu caminho em direção ao Rio Sereno.
Clara, Rodolfo e Dona Jacira sentaram-se ali por um tempo, observando a água limpa e brilhante. O ar parecia mais fresco, e os pássaros cantavam mais alto. Eles sabiam que tinham feito algo muito importante.
Ao voltarem para casa, o Rio Sereno já mostrava sinais de melhora. Sua água estava mais límpida, e o nível começava a subir. Clara aprendeu que mesmo as pequenas ações podem ter um grande impacto, e que a amizade e o trabalho em equipe são poderosos. E assim, o Rio Sereno continuou a ser o espelho prateado da floresta, feliz e agradecido aos seus pequenos guardiões.



















