No coração da Floresta do Arco-Íris, onde árvores com folhas de todas as cores se encontravam com um rio cristalino que cantava sob o sol, ficava a Vila do Bambu. Era um lugar de pontes suspensas, casas aconchegadas entre os galhos e uma harmonia que todos valorizavam.
Um dia, um novo habitante chegou à vila: Jubileu, um pássaro grande e majestoso. Suas penas eram um espetáculo de cores vibrantes – azul celeste, verde esmeralda, amarelo dourado e vermelho vivo – e seu canto era tão alto e melodioso que ecoava por toda a floresta. Mas, apesar de sua beleza, Jubileu sentia-se um pouco sozinho.
Entre os moradores, havia Bento, um macaco-prego inventor com olhos curiosos e mãos sempre ocupadas. Bento era conhecido por suas engenhocas e por ser um pouco rabugento com o que ele considerava “fora do padrão”. As cores chamativas de Jubileu e seu canto forte incomodavam Bento, que pensava: “Que barulho todo é esse? Ele é tão diferente de nós”. Por isso, Bento evitava o novo pássaro, e outros macaquinhos, vendo a atitude de Bento, também se mantinham afastados. Jubileu notava os olhares e os sussurros, e sentia seu coração colorido ficar um pouco cinzento.
No fundo do rio, observando tudo com seus grandes olhos gentis, estava Lila, uma peixe-gato de escamas iridescentes que brilhavam em tons de roxo e rosa. Lila era a mais observadora de todos e via a tristeza de Jubileu, mas também a teimosia de Bento. Ela sabia que algo precisava mudar.
Um dia, uma tempestade repentina e forte desabou sobre a Floresta do Arco-Íris. A chuva torrencial fez o rio transbordar e, para o desespero de todos, a ponte principal de bambu que ligava as duas partes da vila foi arrastada pela correnteza. A vila ficou dividida, e muitos recursos importantes estavam do outro lado.
Bento, com seu arsenal de ferramentas e engenhocas, tentou de tudo para começar o reparo, mas a correnteza era forte demais para qualquer um se aproximar e fixar um novo cabo. Ele resmungava: “Se ao menos eu pudesse ver o que tem do outro lado com mais clareza, ou se alguém pudesse levar essa corda até lá sem ser levado!”.
Foi então que Lila, da água, viu um enorme tronco oco que poderia servir de apoio para uma nova ponte, mas estava preso em um emaranhado de cipós rio abaixo, onde a correnteza era ainda mais perigosa para os moradores terrestres. Ela se aproximou da margem e tentou gesticular, mas sua voz não era entendida fora d’água.
Jubileu, que estava empoleirado no alto de uma das árvores mais altas, observava a situação. Ele podia ver o tronco oco que Lila indicava, e também o desespero nos olhos de Bento. Apesar de se sentir excluído, o coração de Jubileu era bom. Ele sabia que suas asas fortes e sua visão aguçada poderiam ser úteis.
Voando para baixo, Jubileu pousou perto de Bento, que se assustou um pouco com a chegada barulhenta do pássaro.
“Posso ajudar”, disse Jubileu, sua voz melódica, mas um pouco tímida. “Eu vi o tronco que Lila está mostrando, e posso levar uma corda até o outro lado, bem alto, por cima do rio.”
Bento olhou para Jubileu, depois para Lila, que confirmava com a cabeça na superfície da água. Aquele pássaro colorido, com suas penas vibrantes e seu canto alto, era exatamente o que eles precisavam. Ele engoliu o orgulho e disse: “Jubileu, você faria isso? Seria de grande ajuda para todos nós.”
Com uma nova esperança, Jubileu pegou a corda resistente que Bento havia preparado e voou com toda a sua força. Suas penas brilhavam sob a chuva que diminuía, e seu canto de esforço era agora um som de determinação. Ele conseguiu amarrar a corda do outro lado, enquanto Bento e os outros macacos trabalhavam juntos para puxar o tronco oco e começar a construir uma nova ponte. Lila ajudava a guiar o tronco pelo rio, empurrando-o com sua cabeça forte.
Juntos, trabalhando em equipe, os três – o pássaro colorido, o macaco inventor e a peixe-gato observadora – consertaram a ponte. A Vila do Bambu foi reunida novamente.
A partir daquele dia, Bento viu Jubileu de uma maneira completamente diferente. Ele percebeu que as qualidades que ele antes estranhava – as penas coloridas, o canto alto – eram, na verdade, os superpoderes de Jubileu. E Lila, com sua paciência e visão, foi fundamental para conectar a todos.
A Vila do Bambu aprendeu que a verdadeira força de uma comunidade vem da união de todas as suas partes, por mais diferentes que elas pareçam. As cores de Jubileu, a inteligência de Bento e a gentileza de Lila formaram a mais bela sinfonia de amizade, mostrando que cada um tem um brilho especial a oferecer. E assim, a Floresta do Arco-Íris viveu em perfeita harmonia, celebrando cada cor e cada som, porque a aceitação é a mais linda melodia.