A pequena nave espacial de Zylu pousou suavemente na plataforma de aterrissagem da Estação Orbital Verdenovo, uma maravilha tecnológica flutuando sobre a vasta e verde Floresta Amazônica. Zylu era um ser de pele azul celeste e olhos grandes e curiosos, vindo de um planeta distante onde os nomes eram apenas números. Ele tinha um companheiro, Blink, um pequeno robô iridescente que se comunicava com flashes de luz colorida.
Professora Ana Clara, com seus cabelos prateados e um sorriso acolhedor, esperava por eles. Ela era uma cientista que dedicava sua vida a estudar a diversidade da vida. Zylu, que na verdade não tinha um nome, apenas uma designação numérica, olhou para a professora com uma mistura de curiosidade e apreensão.
Boas-vindas, pequeno viajante, disse Ana Clara com uma voz suave. Vejo que você é muito especial. Aqui na Terra, cada um de nós tem um nome que conta um pouco da nossa história.
Zylu não entendeu bem. Para ele, ser chamado de 7-Alfa-2 era perfeitamente normal. Blink, com um piscar de luzes azuis e verdes, projetou imagens de crianças na Terra brincando, cada uma sendo chamada por um nome único.
Ana Clara explicou: Seu nome é a primeira melodia que você ouve, o chamado que o faz virar, o som que o conecta ao mundo. Zylu passou os dias seguintes explorando a Estação Verdenovo. Ele via o nome de cada planta exótica nos jardins internos, o nome de cada constelação que Ana Clara estudava, e até os sons únicos que a floresta lá embaixo emitia.
Um dia, enquanto observava a vida vibrante da floresta através das grandes janelas, Zylu percebeu que as formigas tinham um nome para sua colônia, as árvores tinham um nome para sua espécie, e até os rios tinham um nome próprio. Ele tentou imitar os sons, mas nenhum parecia certo para ele.
Professora Ana Clara notou a busca de Zylu. Um nome não é apenas um som, meu caro, é um sentimento, uma ideia, algo que você sente que o representa, ela explicou. Tente pensar em como você se sente, no que o torna único.
Zylu fechou os olhos e pensou. Ele era curioso, sempre buscando aprender. Ele trazia consigo uma luz, uma novidade para a Terra. Ele era pequeno, mas com um grande potencial. De repente, uma palavra luminosa acendeu em sua mente.
Centelha, ele sussurrou, experimentando o som. Centelha. Era a palavra para uma pequena faísca de luz, um começo, uma ideia brilhante. Era perfeito.
Professora Ana Clara sorriu. Centelha. Que nome lindo e poderoso para você, Zylu. Ou devo dizer, Centelha?
Zylu, agora Centelha, sentiu um calor aconchegante em seu peito azul. Ele olhou para Blink, que piscou em um arco-íris de alegria. A partir daquele dia, Centelha soube que ter um nome próprio era ter um pedacinho de si mesmo refletido no mundo, uma identidade que o fazia pertencer e brilhar. Ele continuou suas aventuras na Estação Verdenovo, agora com um nome que era tão único e cheio de possibilidades quanto ele.