No coração vibrante da Floresta do Rio Azul, onde o sol espreitava entre as folhas gigantes e os riachos cantavam melodias cristalinas, vivia Marina. Com sua mochila sempre pronta e um sorriso no rosto, ela adorava explorar cada trilha, sempre com o cuidado de não perturbar a paz do lugar.
Um dia, enquanto seguia o canto de um pássaro colorido, Marina ouviu um choramingo diferente, um som baixinho que parecia pedir ajuda. Com passos leves como uma folha flutuando, ela se aproximou e viu Ubiratã, um jovem lobo-guará, com a pata presa em um emaranhado de cipós. Ubiratã era conhecido por sua elegância, mas naquele momento, ele estava assustado e triste.
O coração de Marina apertou. Sua primeira vontade foi correr e libertar o lobo-guará. Mas ela se lembrou das palavras sábias de Dona Cotia, a cotia mais antiga e respeitada da floresta. Dona Cotia sempre lembrava que, para amar e respeitar os animais selvagens, era preciso entender seus limites e saber quando não se devia tocar. Ela ensinava a observar de longe, proteger seu lar, e que, se um amigo da floresta precisasse de ajuda, era fundamental chamar quem entendia de verdade.
Marina respirou fundo. Ubiratã era um animal selvagem, e se aproximar sem o conhecimento certo poderia assustá-lo ainda mais ou até mesmo machucá-la ou a ele. Ela sabia que os animais, mesmo quando parecem precisar de ajuda, podem reagir de maneiras inesperadas.
Rapidamente, Marina voltou pelo caminho que veio, correndo para encontrar seu pai, que era um grande conhecedor da natureza e sempre a acompanhava em suas aventuras mais longas. Ela explicou a situação com urgência.
O pai de Marina, um homem calmo e forte, pegou sua mochila de primeiros socorros para animais e juntos retornaram à clareira. De longe, com um binóculo, eles observaram Ubiratã. O pai de Marina, com muita calma e usando luvas especiais, aproximou-se devagar, falando baixinho para não assustar o lobo-guará. Com cuidado e técnica, ele conseguiu desarmar o cipó e libertar a pata de Ubiratã.
Assim que sentiu a pata livre, Ubiratã correu para o mato, lançando um último olhar de agradecimento para Marina e seu pai antes de desaparecer entre as árvores. Marina sentiu uma alegria imensa e uma lição importante no coração. Ela havia ajudado Ubiratã não com pressa ou impulso, mas com sabedoria, respeito e a ajuda de quem sabia como fazer o certo.
Dona Cotia, que observava tudo de um galho alto, piscou um olho para Marina. A menina entendeu o recado: o maior respeito aos animais selvagens é protegê-los em seu próprio lar, observá-los com admiração e intervir apenas com conhecimento e carinho, sempre pensando no bem-estar deles. A partir daquele dia, Marina continuou suas explorações, agora com um entendimento ainda mais profundo da vida selvagem e o valor de cada criatura na Floresta do Rio Azul.