Na pitoresca vila de Encantada, onde o ar puro abraçava as manhãs e o canto dos pássaros embalava as tardes, vivia um menino muito especial chamado Pedro. Ele tinha nove anos, olhos curiosos que não perdiam um detalhe e um diário de anotações que levava para todos os cantos. Seu maior passatempo era explorar os arredores da Serra do Sol Brilhante, um lugar majestoso que abraçava a vila com sua beleza.
Certo dia, Pedro percebeu que o riacho que passava perto de sua casa, o Córrego Limpinho, estava um pouco diferente. A água, antes cristalina, parecia um pouco mais turva, e as pedras do fundo não brilhavam como antes. Preocupado, ele correu para a lojinha de Dona Cotinha, a senhora mais sábia de Encantada. Dona Cotinha, com seus óculos na ponta do nariz e um sorriso acolhedor, ouviu atentamente o relato de Pedro enquanto preparava um chá de ervas.
Acho que o Córrego Limpinho está triste, Pedro. Ele precisa da nossa ajuda, disse Dona Cotinha, com a voz suave.
Mas como podemos ajudar, Dona Cotinha?, perguntou Pedro, com o diário e o lápis prontos para anotar.
Dona Cotinha apontou para a Serra do Sol Brilhante. Os recursos naturais são como grandes presentes da natureza, Pedro. A água, as árvores, o solo, tudo isso nos dá vida. Mas eles precisam ser cuidados. Talvez haja algo na serra que esteja afetando o córrego.
De repente, um barulho alto veio da janela. Era Jupira, a arara-azul falante, que pousou no ombro de Dona Cotinha.
Córrego Limpinho… triste! Árvores… poucas!, grasnou Jupira, batendo as asas.
Dona Cotinha sorriu. Jupira tem razão, Pedro. Vamos juntos à Serra do Sol Brilhante investigar.
No dia seguinte, Pedro, Dona Cotinha e Jupira partiram para a serra. Pedro, com seu chapéu de palha, liderava o caminho, enquanto Dona Cotinha seguia com uma cesta cheia de lanches e Jupira voava à frente, indicando a direção com seus gritos animados. A trilha era cheia de cores e cheiros. Jupira mostrava árvores gigantes e explicava seus nomes com seu jeito peculiar de falar.
Olha, Pedro, esta é a Samaumeira, a rainha da floresta!, disse Jupira, pousando em um galho. Suas raízes profundas seguram o solo e ajudam a manter a água limpinha.
À medida que subiam, eles notaram que em uma parte da trilha, algumas árvores haviam sido cortadas, deixando o solo exposto. E foi ali que viram a nascente do Córrego Limpinho. Sem a proteção das árvores, a terra estava escorregadia e um pouco da lama caía na água, deixando-a turva.
Ah, então é por isso!, exclamou Pedro, anotando tudo em seu diário. As árvores ajudam a filtrar a água e proteger o solo.
Dona Cotinha pegou um punhado de terra e mostrou a Pedro. Sem as plantas, o solo fica soltinho e a chuva forte pode levar tudo para o rio, prejudicando os peixes e a qualidade da água que bebemos.
Jupira, voou para um lado e para o outro, como se estivesse com uma ideia. Ela começou a pegar sementes de algumas plantas nativas e as jogou no chão.
Plantas… novas! Água… limpa!, gritou ela, animada.
Pedro e Dona Cotinha entenderam o recado. Eles começaram a recolher as sementes que Jupira mostrava e a plantá-las nos locais onde as árvores haviam sido derrubadas. Dona Cotinha ensinou Pedro a como cuidar das pequenas sementes e o quanto era importante cada uma delas para o futuro do córrego.
Trabalharam juntos por várias horas, plantando e regando com a água que Dona Cotinha havia trazido. A cada semente plantada, Pedro sentia uma alegria imensa, como se estivesse costurando a floresta de volta ao seu lugar.
Quando terminaram, o sol já estava se pondo, pintando o céu de laranja e roxo. Eles desceram a serra cansados, mas com o coração leve. Nos dias que se seguiram, Pedro visitava a nascente regularmente, regando as plantinhas e observando o Córrego Limpinho. Lentamente, a água começou a clarear. Os pequenos brotos verdes despontavam do solo, prometendo um futuro de floresta renovada.
Os moradores de Encantada, vendo o esforço de Pedro, Dona Cotinha e Jupira, também se inspiraram. Eles começaram a cuidar melhor de seus próprios jardins, a recolher o lixo e a conversar sobre a importância de proteger os recursos naturais.
O Córrego Limpinho voltou a ser transparente, os peixes voltaram a nadar alegremente e a Serra do Sol Brilhante sorria, mostrando a todos que a natureza, quando bem cuidada, sempre nos recompensa com sua beleza e abundância. Pedro, com seu diário cheio de novas anotações, aprendeu que a amizade, o trabalho em equipe e o respeito pela natureza são os maiores tesouros que podemos cultivar. E Jupira, bom, Jupira continuou a voar livremente, espalhando sementes e alegria por toda a Encantada.