No coração do Vale da Harmonia, vivia uma mula muito especial chamada Pepita. Ela não era uma mula comum. Enquanto as outras mulas passavam o dia mastigando grama ou tirando uma soneca, Pepita estava sempre com sua cabeça erguida, observando tudo, pensando e imaginando. Sua cabeça era, na verdade, um verdadeiro tesouro de ideias. Ela se perguntava sobre o porquê das coisas, como a água corria no riacho ou por que as nuvens mudavam de forma.
Seu Josué, o inventor que morava na fazenda, havia notado a curiosidade de Pepita. Ele era um senhor de cabelos brancos e óculos na ponta do nariz, sempre mexendo em alguma engenhoca. Josué achava Pepita fascinante. Ele conversava com ela sobre suas invenções e, para a surpresa de todos, Pepita parecia entender.
O melhor amigo de Pepita era Tico, um passarinho beija-flor rápido e colorido. Tico voava por todo o vale, trazendo para Pepita as notícias e os pequenos segredos que só ele, com sua agilidade, conseguia descobrir. Juntos, eles eram uma dupla imbatível de observadores.
Um dia, o riacho principal do Vale da Harmonia começou a secar misteriosamente. As plantas murchavam, e os animais estavam preocupados. Seu Josué tentou de tudo: verificou os canos, olhou as bombas, mas não encontrava a causa. A tristeza começou a tomar conta do vale.
Pepita, com sua cabeça pensante, não conseguia parar de investigar. Ela notou algo que ninguém mais havia percebido: as abelhas estavam voando em uma direção incomum, para uma parte mais alta do vale que não era visitada por humanos. Tico, voando bem alto, confirmou a observação: havia uma grande rocha que parecia ter caído e bloqueado o fluxo de água de uma nascente escondida.
Com a informação de Pepita e a confirmação de Tico, Seu Josué teve uma ideia brilhante. Ele desenhou um plano, e com a ajuda de Pepita e Tico, que sinalizavam o caminho, eles foram até a nascente bloqueada. A rocha era pesada demais para um só.
Seu Josué teve a ideia de usar um de seus antigos balanços de madeira gigante, que estava abandonado, como uma alavanca. Pepita, com sua força e sua inteligência, entendeu exatamente como posicionar a alavanca para mover a rocha. Ela empurrou com toda a sua força, enquanto Seu Josué a apoiava e Tico voava empolgado, dando um incentivo.
Com um grande barulho, a rocha se moveu. A água jorrou novamente, limpando o caminho e enchendo o riacho. O Vale da Harmonia voltou a florescer. Os animais celebraram, e Seu Josué abraçou Pepita, agradecendo por sua mente brilhante.
Pepita sorriu. Ela aprendeu que ser diferente, ter uma cabeça cheia de ideias e curiosidade, era uma coisa maravilhosa. Com amigos e coragem, qualquer problema podia ser resolvido. Desde então, Pepita continuou a usar sua cabeça esperta para ajudar no vale, sempre acompanhada de Seu Josué e seu fiel amigo Tico, vivendo muitas outras aventuras.



















