Na pacata cidade de Paralelepipedo, onde as casas pareciam livros abertos em fileiras arrumadas, vivia uma menina chamada Clarice. Clarice era uma aventureira de sete anos, com olhos curiosos e um sorriso que parecia ter a luz de mil palavras. Ela amava a antiga Biblioteca Sussurrante, um lugar mágico onde as estantes se erguiam como florestas de sabedoria e o cheiro de papel envelhecido preenchia o ar.
Um dia, enquanto explorava um corredor esquecido, Clarice tropeçou em um livro que nunca tinha visto antes. Era pequeno, com uma capa que brilhava suavemente e páginas que pareciam feitas de nuvens finas. Ao abri-lo, um leve zumbido preencheu o ar e, para sua surpresa, uma criaturinha saltou para fora. Era Biblio, um ser adorável feito de finas camadas de papel e pontinhos de tinta, com grandes olhos redondos e um sorriso amigável.
Biblio, com uma voz tão suave quanto o virar de uma página, explicou a Clarice que vinha de Litera, um mundo escondido entre as linhas de todos os livros. Em Litera, as letras viviam e dançavam, formando palavras e histórias. Mas algo terrível havia acontecido: as vogais – A, E, I, O, U – haviam desaparecido Misteriosamente! Sem elas, as palavras em Litera estavam incompletas, confusas e o caos começava a se instalar.
Clarice, com seu coração valente e sua paixão pelas letras, sentiu que precisava ajudar. Biblio, por sua vez, estava desesperado para restaurar a ordem em seu mundo. Juntos, eles decidiram embarcar em uma jornada para encontrar as vogais perdidas.
A primeira parada deles foi a casa do Professor Sabichão, um inventor excêntrico com óculos redondos e cabelos desgrenhados que pareciam uma nuvem de ideias. O Professor Sabichão morava em um laboratório cheio de engenhocas cintilantes e mapas antigos, e era conhecido por sua vasta sabedoria sobre mundos ocultos. Ao ouvir sobre Litera e o sumiço das vogais, ele imediatamente quis ajudar.
– Hmm, vogais sumidas, é um problema sério! As palavras precisam de suas melodias! – exclamou o professor, esfregando o queixo. – Tenho uma invenção que pode ser útil. Ele apresentou o Localizador de Sons, um aparelho que emitia um brilho suave e indicava a direção dos sons mais puros. As vogais, explicou ele, tinham os sons mais puros de Litera.
Com o Localizador de Sons em mãos, Clarice e Biblio, acompanhados pelo curioso Professor Sabichão, voltaram para a Biblioteca Sussurrante. O livro de Biblio abriu novamente um portal, mas desta vez, eles passaram por ele. Eles se encontraram em Litera, um lugar onde ‘M’s se erguiam como montanhas e ‘S’s serpenteavam como rios. Letras de todos os tamanhos flutuavam no ar, mas muitas pareciam tristes e incompletas.
O Localizador de Sons começou a apitar suavemente, indicando uma direção. Eles seguiram o som através de um campo de ‘L’s macios e um vale de ‘T’s pontudos. A aventura os levou a uma clareira onde uma gigantesca árvore, que parecia feita de palavras, se erguia. Era a Palavrear, e lá, em meio a um emaranhado de consoantes agitadas, estavam as vogais, presas e confusas, sem conseguir se mover livremente.
– Olhem! Elas estão presas no excesso de consoantes! – exclamou Clarice, percebendo que as vogais estavam sobrecarregadas e desorganizadas.
– Precisamos ajudá-las a encontrar seu espaço, a se organizar! – disse Biblio, com um brilho de esperança nos olhos.
Com a orientação do Professor Sabichão, que explicou sobre a importância da ordem e do ritmo na formação das palavras, Clarice e Biblio começaram a trabalhar. Clarice usou seu conhecimento de leitura para identificar as vogais e as consoantes, enquanto Biblio, com sua agilidade de papel, ajudava a separar e realocar cada letra com cuidado. Eles reorganizaram as letras na Palavrear, dando espaço e destaque para as vogais, permitindo que elas respirassem e brilhassem.
Uma a uma, as vogais foram liberadas e, com um brilho vibrante, retornaram aos seus lugares, trazendo de volta a melodia e o sentido às palavras de Litera. A Palavrear floresceu com novas e belas frases, e as letras dançaram alegremente no ar.
Ao retornar para a Biblioteca Sussurrante, Clarice sentiu um orgulho imenso. Ela não apenas ajudou a salvar um mundo de letras, mas também aprendeu uma lição valiosa: cada letra tem seu lugar, e juntas, elas formam não apenas palavras, mas também a ponte para a compreensão, a amizade e a alegria. Clarice e Biblio se tornaram amigos inseparáveis, guardiões da harmonia entre os livros e o maravilhoso mundo de Litera, sempre prontos para uma nova aventura.



















