Na vasta e exuberante Floresta Serenoa, onde as árvores pareciam arranhar o céu com seus galhos robustos e o chão era um tapete macio de musgo e flores cintilantes, vivia Juba, um leão com uma juba tão dourada quanto o sol nascente. No entanto, Juba era diferente dos outros leões. Enquanto seus primos soltavam rugidos estrondosos que faziam as folhas tremerem, o rugido de Juba era suave, melodioso, quase uma canção.
Juba sentia-se um pouco deslocado. Ele se escondia entre as moitas de bambu prateado para praticar seus sons, que, para ele, eram apenas tentativas desajeitadas de ser um leão de verdade. Certo dia, enquanto Juba ensaiava suas notas mais baixas, um pequeno vulto saltitante o observava de um galho próximo. Era Caco, o macaco mais brincalhão e curioso da Floresta Serenoa, com seus pelos marrons e olhos cheios de vivacidade.
Que som é esse, Juba? perguntou Caco, com um brilho nos olhos. Parece música!
Juba corou, ou o mais próximo que um leão pode corar. É só meu jeito de rugir, Caco. Não é como os outros leões.
Mas é lindo! exclamou Caco, batendo palmas com suas pequenas mãos. Você deveria mostrar para todos!
Juba hesitou. Ele sabia que a respeitada Dona Corália, a coruja mais sábia da floresta, sempre dizia que o rugido de um leão era para mostrar força e proteger, não para fazer melodia. Dona Corália, com suas penas cor de outono e seu olhar atento, observava tudo do topo da árvore mais alta, e Juba a temia um pouco.
Dias se passaram e Caco não desistiu de Juba. Ele o incentivava, batucava ritmos com nozes e folhas para Juba seguir com seus rugidos melódicos. Juba começou a ganhar confiança, e seus sons enchiam a parte mais escondida da floresta com uma harmonia nunca antes ouvida.
Uma tarde, nuvens escuras se juntaram no céu da Floresta Serenoa. Uma tempestade violenta irrompeu, com raios cortando o ar e o vento uivando entre as árvores. Os animais menores, assustados, corriam de um lado para o outro, procurando abrigo. Caco, encolhido sob uma folha gigante, estava tremendo.
Juba viu o pânico e sentiu algo diferente. Ele não soltou um rugido de aviso, mas sim um som profundo e ressonante que, em vez de assustar, trazia uma sensação de paz. Era uma melodia tranquilizadora, que se espalhava pela floresta, embalando os corações aflitos dos animais. Os pássaros pararam de chilrear de medo, os coelhos saíram de seus esconderijos, e até as árvores pareciam balançar em um ritmo suave.
Do alto de seu poleiro, Dona Corália observava a cena com olhos arregalados. Ela sempre acreditou que a força estava no som imponente, mas ali estava Juba, com sua melodia, acalmando uma floresta inteira em meio ao caos. Ele não rugia para amedrontar, mas para confortar e unir.
Quando a tempestade passou e um arco-íris brilhante apareceu no céu, os animais se aproximaram de Juba. Dona Corália voou graciosamente e pousou perto dele.
Juba, sua melodia não é um sinal de fraqueza, mas de uma força que eu nunca havia compreendido, disse Dona Corália, com sua voz calma e sábia. Você tem o dom de trazer harmonia.
A partir daquele dia, Juba não se escondeu mais. Ele se tornou o Maestro Rugidor da Floresta Serenoa, usando sua voz única para alegrar os dias e acalmar as noites, ensinando a todos que ser diferente é uma grande virtude e que a verdadeira força pode vir das formas mais inesperadas. E Caco, claro, sempre estava por perto, batucando um ritmo para seu amigo maestro.