Era uma vez, no coração de Minas Gerais, uma fazenda de nome Fazenda Flor de Campo. Lá vivia Lili, uma menina de cabelos cacheados e olhos curiosos, sempre pronta para explorar cada cantinho. Seu melhor amigo era Joca, um porquinho esperto e com um faro para mistérios, que preferia resolver enigmas a rolar na lama, embora um bom banho de lama nunca fosse totalmente descartado. A fazenda era cuidada com amor pela Dona Rosa, avó de Lili, conhecida por suas histórias e seu doce de abóbora.
Um dia, ao colher as amoras do pomar, Lili percebeu algo estranho. Havia muito menos amoras do que o normal, e não era a época para que estivessem todas maduras. Preocupada, ela foi até Joca, que estava deitado sob a sombra de uma mangueira gigante, pensando em seu próximo desafio.
Lili explicou ao porquinho a situação das amoras. Joca ouviu atentamente, seu focinho rosado se franzindo em concentração. Ele perguntou se aquilo já havia acontecido antes. Lili respondeu que não, nunca em tão grande quantidade. Joca então sugeriu que eles começassem uma investigação, como os grandes detetives que viam nos livros da Dona Rosa.
Os dois amigos seguiram para o pomar. Joca farejou o chão com seu nariz sensível, parando em cada arbusto de amora. Lili observava, os olhos atentos a qualquer detalhe. Perto da cerca mais afastada, Joca guinchou baixinho, indicando que havia encontrado algo. Lili se aproximou e viu pequenas penugens coloridas espalhadas pelo chão, e algumas marcas minúsculas de patinhas.
Eles seguiram as pegadas, que levavam para além do pomar, em direção à pequena floresta de árvores frutíferas nos limites da fazenda. Enquanto caminhavam, Joca apontou para um galho baixo e seco. Lili notou que um pedaço de barbante colorido estava preso ali, um material que não pertencia à floresta. Parecia que alguém estava construindo algo.
Mais adiante, eles chegaram a uma clareira escondida, um lugar que nunca haviam explorado antes. Ali, entre as árvores, havia vários ninhos feitos de galhos e barbantes, e em cada um deles, pequenos pássaros coloridos comiam amoras. Lili e Joca observaram em silêncio. Um passarinho maior, com penas azuis vibrantes, parecia ser o líder. Ele parecia triste.
Lili percebeu a situação. Aqueles pássaros estavam com fome e não tinham um lar. Por isso pegavam as frutas da fazenda. Ela sentiu o coração apertar de empatia. Joca, por sua vez, sugeriu que eles não deveriam brigar com os passarinhos, mas sim encontrar uma solução.
Eles voltaram correndo para a Fazenda Flor de Campo e contaram tudo à Dona Rosa. A avó, com sua sabedoria, sorriu e elogiou a sensibilidade e a inteligência dos dois. Ela disse que era um problema que poderia ser resolvido com um pouco de trabalho em equipe.
Nos dias seguintes, Lili, Joca e Dona Rosa, com a ajuda de alguns vizinhos, plantaram novas árvores frutíferas em uma área mais afastada da fazenda, um lugar só para os pássaros. Eles chamaram de Pomar da Amizade. Os passarinhos, vendo o esforço, começaram a se aproximar, e o líder dos pássaros, um azulão chamado Canta, cantou uma linda melodia em agradecimento.
A partir daquele dia, a Fazenda Flor de Campo se tornou um lar para todos. Lili aprendeu que a compaixão e a busca por soluções pacíficas eram as maiores aventuras. Joca continuou seu trabalho de detetive, mas agora com a missão de manter a harmonia entre todos os moradores da fazenda. E Dona Rosa, ah, Dona Rosa seguia fazendo seus doces, com um sorriso ainda maior, sabendo que sua fazenda não era apenas um lugar de trabalho, mas um verdadeiro refúgio de amizade e bondade.