Lara era uma menina curiosa com olhos tão brilhantes quanto as águas do Rio Cristalino, onde ela vivia. Todos os dias, depois da escola, Lara corria para a beira do rio, não para nadar, mas para observar. Ela observava os peixes prateados saltitarem, as aves coloridas buscando alimento e, sua parte favorita, o tímido boto-cor-de-rosa que parecia espiar de vez em quando.
Um dia, ao chegar ao rio, Lara notou algo diferente. A água, antes tão clara que se via cada pedrinha no fundo, estava um pouco turva. E havia um cheiro estranho. Preocupada, ela ficou sentada, pensando no que poderia ser. De repente, uma voz suave e melodiosa, mas um pouco triste, ecoou na água.
Lara, sou eu, Boto Jubileu, o guardião deste rio. A água está doente, e se continuar assim, não terei mais lar, nem os peixes, nem as aves.
Lara arregalou os olhos. Um boto que falava! Ela nunca imaginou algo assim. Mas a tristeza na voz de Boto Jubileu era real.
O que está acontecendo, Boto Jubileu? Perguntou Lara, com a voz embargada.
Algumas pessoas estão jogando lixo nas margens do rio, Lara. E sem querer, o lixo escorre para cá. A cada dia que passa, o rio adoece mais.
Lara sentiu um aperto no coração. O Rio Cristalino era mais que um rio, era a vida de todos ali.
Precisamos fazer algo, Boto Jubileu! Mas o que?
O boto mergulhou e reapareceu mais perto.
Precisamos mostrar às pessoas a importância de cuidar do nosso lar. Você me ajuda, Lara?
Lara sorriu, uma luz de coragem em seu rosto.
Claro que sim, Boto Jubileu!
Nos dias seguintes, Lara e Boto Jubileu se tornaram uma dupla inseparável. Lara conversava com os pescadores, explicando como o lixo prejudicava os peixes. Ela falava com as mães na feira sobre o perigo de jogar restos perto do rio. Boto Jubileu, por sua vez, mostrava-se mais vezes aos moradores, nadando perto da superfície com uma expressão triste, como se pedisse ajuda.
No começo, alguns não davam muita atenção. Mas Lara não desistiu. Ela organizou um dia de limpeza nas margens do rio, chamando seus amigos da escola. Boto Jubileu ajudava de um jeito especial: quando encontravam um lixo escondido na água, ele dava um pequeno salto, indicando o local.
Lentamente, as pessoas começaram a perceber. Viram o esforço de Lara e a tristeza de Boto Jubileu. O senhor Zeca, o pescador mais antigo, foi o primeiro a se juntar, depois Dona Rosa, a vendedora de frutas. A comunidade se uniu. Eles recolheram o lixo, plantaram pequenas mudas de árvores nas margens para proteger o solo e, o mais importante, aprenderam a jogar o lixo no lugar certo.
Pouco a pouco, o Rio Cristalino começou a se recuperar. A água voltou a ser transparente, os peixes voltaram a saltitar com alegria e o cheiro estranho desapareceu. Boto Jubileu nadava feliz, dando saltos de alegria que molhavam Lara com respingos cristalinos.
Lara se sentia orgulhosa. Ela havia descoberto que, mesmo sendo pequena, podia fazer uma grande diferença. E o Boto Jubileu, seu amigo e guardião, ensinou a todos que a ecologia é um trabalho em equipe, onde cada um tem um papel importante para manter a natureza viva e vibrante. O Rio Cristalino, agora mais limpo do que nunca, era um lembrete brilhante de que cuidar do planeta é cuidar de nós mesmos.



















