Num vilarejo aconchegante, aninhado entre colinas verdes e um rio que cantava sem parar, morava Leo, um menino com olhos curiosos que pareciam ver histórias em cada folha que caía. Sua amiga, Maya, com seus cadernos de desenhos sempre cheios de rabiscos coloridos, era a companheira perfeita para suas explorações. Ambos adoravam ouvir as histórias de Dona Aurora, a senhora mais antiga e sábia do vilarejo, que tinha um baú de lembranças e risadas.
Um dia, enquanto ajudavam Dona Aurora a organizar seu sótão empoeirado, Leo encontrou um mapa antigo, amarelado pelo tempo. Nele, estava desenhado um caminho tortuoso que levava a algo chamado O Tesouro Escondido das Cores do Mundo. Maya, ao ver os desenhos detalhados no mapa, soltou um grito de alegria.
O que é isso, Dona Aurora?, perguntou Leo, apontando para o mapa.
Ah, esse é o mapa de um lugar muito especial, meus pequenos. Um portal que nos leva a lugares onde o mundo se revela em suas mais belas cores, respondeu a senhora com um sorriso misterioso. As Cores do Mundo não são tintas, mas sim a alegria e a riqueza de cada povo, suas tradições, suas danças, seus sabores.
Leo e Maya sentiram o coração bater mais forte. Eles queriam encontrar esse tesouro! Dona Aurora, vendo o brilho nos olhos das crianças, decidiu que era hora de compartilhar essa aventura. Ela explicou que o portal não precisava de palavras secretas, mas sim de um coração aberto para o novo e um desejo genuíno de aprender.
Seguindo o mapa, os três caminharam até uma antiga árvore no coração da floresta, onde uma abertura discreta parecia convidá-los. Ao tocarem o tronco, um brilho suave envolveu-os, e de repente, o cenário mudou.
Eles se viram em um mercado vibrante, cheio de cheiros de especiarias e tecidos coloridos. Pessoas vestiam roupas que pareciam obras de arte, com bordados e joias brilhantes. Uma moça sorridente ofereceu a Leo e Maya um pedaço de um doce de figo com pistache. Que delícia diferente!, exclamou Maya, desenhando rapidamente em seu caderno. Ali, a cor predominante parecia ser o caloroso laranja da terra e o azul profundo do céu. Dona Aurora explicou que aquele era um pedaço do Oriente Médio, rico em hospitalidade e tradições milenares.
O portal brilhou novamente, e eles se encontraram em uma aldeia onde tambores marcavam o ritmo de uma dança alegre. Crianças corriam, usando contas coloridas e desenhos no rosto. Um senhor de voz suave ensinou a Leo a fazer um pequeno instrumento com cabaça. Maya observava as estampas dos tecidos, hipnotizada pelos tons de verde da floresta e o amarelo do sol. Dona Aurora revelou que estavam em uma aldeia africana, cheia de ritmos contagiantes e uma profunda conexão com a natureza.
A próxima parada os levou a um festival com lanternas flutuantes e delicados instrumentos de corda. Bonecas de papel e máscaras de dragão enfeitavam as ruas. Leo experimentou um bolinho de arroz doce e Maya tentou desenhar os caracteres intrincados que via nos cartazes. Ali, o vermelho vibrante e o dourado reluzente dominavam a paisagem. Dona Aurora contou que era um festival na Ásia, um lugar de histórias antigas e muita sabedoria.
Em cada lugar, Leo e Maya não apenas viam, mas experimentavam as Cores do Mundo. Eles aprenderam que cada cultura tinha seu jeito único de amar, celebrar, se vestir, comer e contar suas histórias. Não havia uma cor mais bonita que a outra, mas sim uma tapeçaria de cores que juntas formavam um desenho espetacular.
Quando retornaram ao vilarejo, através do mesmo portal na árvore, Leo e Maya estavam cheios de novas cores em seus corações e mentes. Eles não tinham um baú de moedas, mas um tesouro muito maior: a compreensão de que a diversidade cultural é o que torna o mundo um lugar tão fascinante e bonito. Eles compartilharam suas aventuras com os amigos, ensinando a todos que abrir o coração para o diferente é a maior de todas as aventuras. Dona Aurora apenas sorria, sabendo que o verdadeiro Tesouro Escondido das Cores do Mundo havia sido encontrado.



















