Luna, uma menina de olhos curiosos e cabelos cor de jabuticaba, mal podia esperar pelas férias no sítio de sua avó, Dona Cotinha. O sítio ficava bem pertinho do famoso Parque Ecológico das Brisas Verdes, um lugar que prometia aventuras e muitos segredos da natureza. Assim que chegou, calçou suas botinhas e partiu para explorar.
Ao adentrar o parque, Luna se maravilhou com as árvores altas que pareciam abraçar o céu e o canto dos pássaros que formavam uma orquestra natural. Mas, ao seguir o caminho de um pequeno riacho, uma cena a entristeceu. Onde a água deveria ser cristalina, havia garrafas plásticas e papéis boiando. Luna sentiu um aperto no peito, perguntando-se como algo tão bonito poderia estar assim.
De repente, uma voz calma e profunda a cumprimentou. Olhando para o lado, Luna viu uma Capivara Juca, com seu pelo marrom e olhar sereno. Juca era uma capivara muito antiga, conhecida por todos os animais do parque por sua sabedoria. Ele explicou a Luna que o riacho era o coração do parque, levando vida para todos os cantos, e que a sujeira o deixava doente. Ele disse que cada folha, cada pedra, cada gota de água tinha um lugar e uma função importantes.
Juca então apresentou a Luna um pequeno Robô Faísca, um assistente metálico que patrulhava o parque. Faísca tinha rodinhas ágeis e luzes que piscavam em tons de azul e vermelho, mas sua personalidade era um pouco… prática demais. Ele observou o lixo e declarou com uma voz robótica que aquilo era um problema humano, não uma falha do sistema de manutenção dele. Faísca estava programado para coletar dados, não para sentir a tristeza da natureza.
Luna, inspirada pelas palavras de Juca, começou a recolher as garrafas e os papéis, colocando-os em uma sacola que sua avó sempre lhe dava para suas explorações. Faísca observava com suas lentes brilhantes, registrando os movimentos de Luna como dados, sem realmente entender o motivo daquela ação.
Enquanto trabalhavam, um pequeno filhote de quati, curioso e brincalhão, se aproximou. De repente, ele ficou enroscado em um anel de plástico de uma garrafa. O filhote choramingou, assustado. Luna tentou desenrolá-lo com cuidado, mas o plástico estava apertado. Juca, com sua calma habitual, orientou Luna a como proceder, mas a situação era delicada.
Faísca, que antes via tudo como um problema de eficiência, viu o desespero nos olhos de Luna e o medo do quati. Algo em seus circuitos mudou. Uma nova linha de programação pareceu surgir, não baseada em lógica fria, mas em uma sensação diferente. Sem hesitar, ele estendeu um de seus braços articulados, equipado com uma pinça precisa, e com muita delicadeza, removeu o anel de plástico do filhote. O quati correu livre, e Faísca sentiu algo que nunca havia experimentado, um tipo de alegria.
As luzes de Faísca, que antes piscavam em tons frios, começaram a irradiar um verde vibrante e quente. Ele entendeu que o bem-estar dos seres vivos e a beleza do parque eram mais valiosos do que qualquer dado ou eficiência mecânica. Seu coração, antes feito de circuitos, agora parecia ter um pulsar verde.
Luna, Juca e Faísca trabalharam juntos. Faísca, com sua tecnologia, identificou outros pontos de poluição no parque, e Luna ajudou a mobilizar os outros visitantes e moradores próximos, contando a história do quati e do Robô Faísca. Em pouco tempo, o Parque Ecológico das Brisas Verdes estava mais limpo e exuberante do que nunca. Robô Faísca não era apenas um assistente mecânico, ele havia se tornado o guardião com um coração verde, mostrando a todos que a consciência ambiental pode despertar até nos lugares mais inesperados.