No vasto céu azul, acima das nuvens fofas, existia um lugar como nenhum outro: a Fazenda Flutuante Estrelinha. Lá viviam Zeca, um menino inventor com a cabeça cheia de ideias e as mãos sempre ocupadas, e sua amiga Cora, uma geóloga mirim que amava examinar rochas e solos com a mesma paixão com que outros amavam doces. Com eles, estava o Professor Sabichão, um corvo-erudito de óculos pequenos, o guardião dos segredos da fazenda e um conselheiro para todas as horas.
A Fazenda Estrelinha não era uma fazenda comum. Ela flutuava gentilmente, movida por hélices de vento, e produzia as mais deliciosas Frutas-Nuvem, essenciais para alimentar a fazenda e dar energia às suas máquinas. A cada ano, a colheita das Frutas-Nuvem era uma festa, mas, de repente, algo estranho começou a acontecer.
— Zeca, veja isto! As Frutas-Nuvem estão murchando! — exclamou Cora, apontando para as plantas que antes eram vibrantes e agora pareciam cansadas.
Zeca, que estava ajustando os parafusos de um seu novo invento, correu para observar. — Você tem razão, Cora. Elas não estão crescendo direito. A colheita está em perigo!
Preocupados, os dois procuraram o Professor Sabichão, que estava em sua biblioteca, empoleirado sobre um livro enorme.
— Professor, as Frutas-Nuvem não estão bem! — disse Zeca.
O corvo piscou seus olhos espertos por trás dos óculos. — Hmm, interessante. Para entender uma planta, é preciso entender a terra que a nutre. O solo é o coração de toda colheita. Sugiro que investiguem a fundo o que está acontecendo lá embaixo.
Inspirados, Zeca e Cora decidiram colocar suas habilidades em ação. Zeca, com sua criatividade, logo inventou uma mini-escavadeira robô, a Minhoca Veloz, pequena o suficiente para não prejudicar as raízes, mas forte para cavar. Cora, com seu kit de análises de solo, acompanhou a Minhoca Veloz.
Eles observaram atentamente. A Minhoca Veloz cavou pequenos buracos, e Cora recolheu amostras de solo. Ela as examinou sob seu microscópio portátil.
— Zeca, olhe isto! — disse Cora, com os olhos arregalados. — As partículas de poeira cósmica, que normalmente enriquecem nosso solo, estão em excesso! Elas compactaram a terra, não deixando as raízes respirarem e absorverem os nutrientes adequados. É como se a terra estivesse com um abraço forte demais!
Zeca coçou a cabeça. — Então, precisamos soltar esse abraço! Mas como?
Juntos, eles pensaram. Zeca imaginou engrenagens e ventiladores. Cora pensou em como as minhocas verdadeiras arejam a terra. A ideia surgiu: uma máquina que filtrasse e aerizasse o solo suavemente, removendo o excesso de poeira e devolvendo a leveza para as raízes.
Zeca passou dias trabalhando com suas ferramentas, enquanto Cora o ajudava, explicando onde a máquina deveria focar e como as raízes precisavam de espaço. Eles construíram o Descompactador de Nuvens, uma engenhoca que, com hélices delicadas e filtros especiais, limpava e arejava o solo da Fazenda Estrelinha.
Com o Descompactador de Nuvens em operação, Zeca e Cora trabalharam incansavelmente, guiando a máquina por todos os canteiros. O Professor Sabichão sobrevoava, incentivando-os. Lentamente, mas com certeza, as Frutas-Nuvem começaram a se erguer, suas folhas verdes se abrindo e seus pequenos frutos crescendo, cheios e suculentos.
A colheita daquele ano foi a mais especial de todas. As Frutas-Nuvem nunca estiveram tão brilhantes e saborosas. Zeca e Cora, ao lado do Professor Sabichão, observavam os cestos cheios, não apenas de frutas, mas de orgulho. Eles haviam aprendido que, com curiosidade, trabalho em equipe e cuidado com a natureza, todo desafio pode ser superado, e toda colheita é uma celebração do esforço conjunto. A Fazenda Flutuante Estrelinha continuou a prosperar, um farol de inovação e amizade nos céus.