No coração de um lugar encantado, conhecido como Vale das Flores Coloridas, viviam criaturas de todos os tipos. Entre elas, destacavam-se duas amigas muito diferentes: Cecília, uma cigarra de asas iridescentes e voz melodiosa, e Fabiana, uma formiga pequena, mas de força e organização admiráveis.
Cecília passava seus dias sob o sol quente, empoleirada em uma flor gigante, dedilhando seu violino natural e entoando canções que ecoavam por todo o vale. Sua música era tão linda que as borboletas dançavam em círculos e as flores pareciam balançar no ritmo. Para Cecília, cada nota era um pedaço de alegria.
Do outro lado do vale, Fabiana trabalhava incansavelmente. Desde o nascer do sol até o pôr do sol, ela carregava pequenas sementes, pétalas caídas e orvalho fresco para seu formigueiro subterrâneo. Seu estoque era o mais arrumado, e ela sentia um orgulho imenso de cada grão armazenado. Fabiana via Cecília cantar e pensava: Como ela viverá quando o inverno chegar, sem nada para comer?
Certo dia, Abelardo, um zangão sábio e de olhos gentis, passava zumbindo enquanto coletava pólen. Ele observou Cecília, leve e despreocupada, e depois Fabiana, com uma folha enorme nas costas, seu rosto suado de esforço.
Abelardo pousou perto de Cecília. Sua música é linda, Cecília, disse ele. Mas o inverno está próximo. Você tem se preparado?
Cecília suspirou. Ah, Abelardo, a música me preenche. Tenho medo que, se eu parar para colher, perca a inspiração.
Em seguida, Abelardo voou até Fabiana, que mal notou sua presença, tão concentrada estava em seu trabalho. Fabiana, você trabalha sem parar, observou Abelardo. Não se cansa? Não sente falta de um pouco de descanso?
Fabiana endireitou a antena. Ah, Abelardo, se eu parar, como terei o suficiente para o inverno? A segurança é tudo!
Abelardo sorriu gentilmente. Cecília, sua música alimenta a alma e traz alegria a todos no vale. Fabiana, seu trabalho garante a sobrevivência e a segurança de muitos. Ambas são importantes. Talvez possam aprender uma com a outra?
As palavras de Abelardo ressoaram em Cecília e Fabiana. Cecília pensou sobre a preocupação de Fabiana e a chegada do frio. Fabiana ponderou sobre a alegria que a música de Cecília trazia e o quão cansada ela se sentia às vezes.
No dia seguinte, Cecília teve uma ideia. Ela foi até o formigueiro de Fabiana e começou a cantar uma melodia alegre e rítmica. As formigas que trabalhavam, antes curvadas pelo esforço, sentiram seus corações se alegrarem. Elas começaram a trabalhar com mais ânimo, seus passos mais leves, e a tarefa pareceu menos pesada. Fabiana observou a cena, surpresa e com um pequeno sorriso.
Fabiana, por sua vez, percebeu o quanto a música de Cecília era vital. E quando o inverno finalmente chegou, cobrindo o Vale das Flores Coloridas com um manto branco e gelado, Fabiana fez algo que nunca havia feito. Ela convidou Cecília para compartilhar do calor e da fartura de seu formigueiro.
Dentro do formigueiro, enquanto a neve caía lá fora, Cecília cantava histórias e melodias para as formigas, que, aquecidas e bem alimentadas, batiam suas pequenas patas no ritmo. Fabiana sentia uma alegria que nenhum estoque de comida jamais lhe dera. Ela havia aprendido que a vida é mais doce quando o trabalho e a alegria, a preparação e a celebração, andam de mãos dadas. E assim, no Vale das Flores Coloridas, a cigarra e a formiga, antes tão diferentes, descobriram a beleza da amizade e do equilíbrio.



















