No coração vibrante da Floresta Encantada do Sussurro, onde as folhas dançavam ao vento e os pássaros cantavam melodias alegres, vivia Jubileu, um jabuti com um casco verde-musgo e um dom para contar histórias. Jubileu era conhecido por sua sabedoria e por sua fala mansa, mas ultimamente, ele estava preocupado. O famoso Rio de Mel, que serpenteava pela floresta e abastecia as flores com o néctar mais doce, estava minguando. Suas águas douradas, antes fartas, agora mal cobriam as pedras.
Jubileu sentou-se à beira do rio, balançando a cabeça devagar. Quem poderia ajudá-lo a descobrir o que estava acontecendo? De repente, um borrão verde e brilhante passou voando. Era Flora, a beija-flor, com suas asinhas batendo tão rápido que pareciam invisíveis. Flora era a mais curiosa e ágil de toda a floresta, sempre em busca de novas flores e aventuras.
Flora, você pode me ajudar? perguntou Jubileu, com a voz um pouco arrastada.
Claro, Jubileu! O que houve? respondeu Flora, pairando no ar.
O Rio de Mel está secando. Se ele parar de fluir, as flores secarão e não teremos néctar.
Flora prometeu investigar. Com um zumbido rápido, ela voou rio acima, passando por árvores gigantes e cachoeiras pequenas. Quanto mais ela subia, mais o rio diminuía, até que ela viu algo estranho: uma pilha de pedras e galhos bloqueando o curso da água! E, sentado bem ao lado da barreira, estava Caio, um macaco-prego com olhos travessos e um sorriso maroto.
Caio, o que você está fazendo? perguntou Flora, um pouco brava.
Estou construindo uma piscina para mim! Com toda essa água represada, terei o melhor lugar para brincar e beber, respondeu Caio, sem perceber o mal que estava causando.
Flora explicou a Caio que, ao bloquear o rio, ele estava impedindo que a água chegasse às flores e a todos os outros animais da floresta. As abelhas não teriam néctar para fazer mel, e muitos animais sentiriam sede. Caio ficou com os olhos arregalados. Ele nunca tinha pensado nisso! Seu plano parecia tão bom para ele.
Jubileu chegou logo em seguida, movendo-se lentamente, e com sua voz calma, acrescentou: Caio, a floresta é para todos. Precisamos compartilhar. Quando um de nós segura tudo para si, todos sofrem.
Caio sentiu uma pontada de tristeza. Ele não queria prejudicar ninguém. Desculpem, amigos. Eu não pensei nas consequências. Eu ajudo a tirar as pedras!
Com a ajuda de Caio, Flora e Jubileu, as pedras e galhos foram retirados rapidamente. A água do Rio de Mel voltou a fluir com sua força original, cantando alegremente enquanto descia. As flores logo se reanimaram, e os outros animais vieram beber e celebrar.
A partir daquele dia, Caio aprendeu uma lição valiosa sobre a importância de pensar nos outros e de compartilhar. Ele se tornou o melhor amigo de Jubileu e Flora, e juntos, eles garantiram que o Rio de Mel nunca mais parasse de fluir, lembrando a todos que, juntos, somos mais fortes e a alegria é maior quando é compartilhada.