No coração do Vale Verdejante, onde o rio Cantareira serpenteava entre ilhas flutuantes de capim e flores, vivia um menino chamado Juca. Juca era um explorador nato, com um mapa amassado no bolso e a cabeça cheia de ideias. Mas, para ser honesto, Juca estava quase sempre um pouco molenga. Ele adorava biscoitos recheados, salgadinhos crocantes e refrigerantes borbulhantes. Depois de um dia de brincadeiras, ele já se sentia cansado antes mesmo do sol se pôr.
Um dia, enquanto folheava um antigo livro de histórias do vovô, Juca leu sobre o lendário Pomar Cintilante. Dizia a lenda que as frutas desse pomar brilhavam com uma luz própria e que, quem as comesse, sentiria uma energia inesgotável. Ah, se Juca pudesse encontrar essas frutas! Ele nunca mais ficaria cansado.
Com uma mochila leve e muita esperança, Juca partiu. Caminhou pela trilha de terra vermelha até chegar às margens do rio Cantareira. Lá, em sua horta flutuante feita de troncos e plantas aquáticas, estava Dona Cotinha, uma simpática jacaré-fêmea de escamas verdes e sorriso acolhedor. Ela cuidava de sua horta com tanto carinho que suas abóboras eram as maiores, e seus morangos, os mais doces de todo o vale.
Olá, Juca! Onde você vai com tanta pressa e essa carinha de sono?, perguntou Dona Cotinha, oferecendo-lhe um pedaço suculento de manga.
Juca aceitou a manga, sentindo-a refrescar sua boca. Estou indo para o Pomar Cintilante, Dona Cotinha! Preciso encontrar as frutas que dão energia. Ando muito cansado, sabe?
Dona Cotinha riu gentilmente. Ah, o Pomar Cintilante! É um lugar lindo, sim. Mas a verdadeira energia não vem de uma fruta só, meu caro. Vem de um prato colorido, cheio de coisas boas!
Enquanto eles conversavam, um barulho de asas chamou a atenção. Era o Professor Sabichão, um papagaio muito inteligente que usava óculos na ponta do bico e levava um bloquinho de anotações. Ele pousou no ombro de Juca.
Exato, Cotinha! Exato!, cacarejou o Professor. A energia que Juca busca está em vitaminas e minerais! Os carboidratos nos dão a força para pular, as proteínas constroem nossos músculos, e as vitaminas nos defendem dos resfriados! Uma alimentação equilibrada é a chave, meu jovem!
Juca mastigava a manga pensativo. Mas e as frutas cintilantes? Elas não me darão toda a energia de que preciso?
Dona Cotinha sorriu. Elas são deliciosas e muito boas, Juca. Mas pense em uma orquestra. Cada instrumento faz um som lindo, mas só juntos eles criam uma música maravilhosa. Seu corpo é como uma orquestra, precisa de muitos instrumentos diferentes para tocar a melhor melodia.
Professor Sabichão assentiu. As frutas do Pomar Cintilante brilham porque recebem muito sol, muita água e crescem em uma terra super rica em nutrientes! Elas são a prova de que a natureza, quando bem cuidada, nos dá o melhor!
Juca passou o resto da manhã com Dona Cotinha e Professor Sabichão. Ele experimentou cenouras crocantes, uvas docinhas e abacates cremosos. Aprendeu que cada cor no prato representava um superpoder diferente para seu corpo. À medida que comia, sentia uma leveza e uma energia que nunca havia sentido antes, mesmo sem ter chegado ao Pomar Cintilante.
Quando o sol começou a se inclinar, Juca agradeceu aos seus novos amigos. Ele não precisava mais ir ao Pomar Cintilante em busca de um atalho para a energia. Ele havia descoberto que o verdadeiro segredo estava em cuidar de seu corpo com carinho, dando-lhe uma variedade de alimentos frescos e coloridos. Ele ainda visitaria o Pomar Cintilante um dia, mas agora ele sabia que suas frutas eram um presente da natureza, e não a única solução.
Ao voltar para casa, Juca trocou seus biscoitos por uma maçã e um suco natural. Ele sabia que, dali em diante, suas aventuras seriam muito mais emocionantes, cheias de energia e com um sorriso ainda maior no rosto. O Vale Verdejante havia lhe ensinado a mais valiosa de todas as lições: a alegria de uma vida saudável.