Era uma vez, em um vasto campo verde salpicado de flores selvagens e pequenas colinas, vivia Teodoro, um tatu muito especial. Teodoro adorava cavar tocas profundas e labirínticas, explorando a terra com suas garras fortes. Mas, ao contrário dos outros tatus que só pensavam no subsolo, Teodoro tinha um sonho que apontava para cima: ele queria tocar as estrelas. Todas as noites, quando o sol se punha e o céu se transformava em um manto azul escuro bordado de pontos brilhantes, Teodoro se deitava de barriga para cima na grama e observava, imaginando o que haveria lá em cima.
Um dia, enquanto cavava perto da árvore mais alta da região, Teodoro ouviu uma voz suave e sábia. Era Aurora, uma coruja com penas brancas como a lua e olhos grandes e redondos, que observava o mundo do alto dos galhos.
Olá, pequeno escavador, disse Aurora. Parece que seus olhos buscam mais do que raízes e minhocas.
Teodoro, um pouco envergonhado, respondeu: Ah, Senhora Aurora, eu amo cavar, mas o que eu mais amo é o céu. Sonho em ver as estrelas tão de perto que sinta o seu brilho.
Aurora sorriu, um som que lembrava o farfalhar das folhas. Existe um lugar, Teodoro, um pico distante conhecido como Montanha dos Sussurros Estelares. Dizem que de lá, o céu é tão límpido que se pode quase sentir as estrelas sussurrando segredos antigos. Mas o caminho é longo e cheio de desafios.
Os olhos de Teodoro brilharam com determinação. Eu vou! Eu posso cavar, Senhora Aurora, minhas garras são fortes.
Aurora, vendo a coragem no pequeno tatu, ofereceu: Eu sou os olhos do céu, Teodoro. Posso guiá-lo de cima enquanto você desbrava o caminho por baixo. Juntos, talvez possamos alcançar o seu sonho.
E assim, a jornada de Teodoro e Aurora começou. Teodoro cavava túneis sob riachos e pedras, abrindo caminho com sua força e persistência. Ele se esgueirava por entre a vegetação densa, sempre atento aos conselhos de Aurora, que voava adiante, indicando o melhor trajeto. A coruja apontava: Um desvio à esquerda, Teodoro, há uma pedra grande à frente! ou Cuidado, um riacho por ali, use sua habilidade para passar por baixo!
Houve momentos em que Teodoro se sentiu cansado. Suas patinhas doíam e a subida parecia interminável. Mas sempre que ele olhava para cima e via Aurora planando, ou quando ela o encorajava com suas palavras gentis, ele encontrava novas forças. Eu consigo, pensava ele, um passo de cada vez.
Finalmente, após dias de esforço e trabalho em equipe, eles chegaram. O topo da Montanha dos Sussurros Estelares era uma clareira rochosa, lisa e espaçosa. O sol estava se pondo, pintando o céu com tons de laranja e roxo.
Chegamos, Teodoro! exclamou Aurora, pousando ao lado dele.
Teodoro olhou para o horizonte, o coração batendo forte. Ele cavou um pequeno buraco, apenas o suficiente para se aconchegar e, deitado de costas, esperou. E então, as primeiras estrelas apareceram, uma a uma, até que o céu se encheu de milhões de pontos cintilantes. O espetáculo era deslumbrante. As estrelas pareciam tão próximas que ele quase podia esticar a pata e tocá-las. Ele sentia o ar fresco da montanha e o silêncio preenchido apenas pelos sussurros imaginários do universo.
Aurora, pousada em um galho próximo, observava-o com carinho. Você conseguiu, pequeno Teodoro. Sua perseverança e sua amizade nos trouxeram até aqui.
Teodoro sorriu, um sorriso de pura felicidade. É ainda mais bonito do que eu imaginei, Senhora Aurora. Obrigado por me ajudar a ver.
E naquela noite, sob o imenso cobertor de estrelas, Teodoro e Aurora aprenderam que os sonhos, por maiores que sejam, podem ser alcançados com coragem, trabalho duro e a ajuda de um bom amigo.



















