Em uma pequena clareira, onde as estrelas cintilavam como diamantes no veludo da noite, morava uma menina chamada Aurora. Aurora era curiosa e cheia de vida, mas havia algo que a deixava com um friozinho na barriga: o escuro. Para ela, a noite era um grande lençol preto que escondia tudo e transformava o familiar em algo desconhecido.
Perto da casa de Aurora ficava a majestosa Araucária Gigante, uma árvore tão antiga que seus galhos pareciam abraçar o céu. Dentro de seus troncos ocos, havia túneis e pequenas cavernas naturais, lar de muitos segredos. Uma tarde, enquanto brincava, o boneco de pano preferido de Aurora, o Capitão Fofinho, rolou para dentro de uma dessas fendas escuras. O desespero apertou o coração da menina.
— Ai não! Capitão Fofinho! — exclamou Aurora, com os olhos arregalados.
Seu amigo, Ciclone, um vento alegre e um tanto desajeitado, tentou ajudar. Ele soprou com toda a força para tentar empurrar o boneco de volta, mas o sopro apenas fez um barulho estranho dentro do túnel, aumentando o medo de Aurora.
— Calma, Aurora! Eu pego ele! — disse Ciclone, soprando mais forte, mas o boneco permaneceu lá, na escuridão.
De repente, uma luzinha amarela e intermitente surgiu da grama. Era Lampião, um vagalume inventor de óculos pequenos e um sorriso tímido. Lampião era conhecido por sua inteligência e por iluminar os cantos mais esquecidos da floresta com sua luz natural.
— Olá, Aurora! Vejo que o Capitão Fofinho está explorando. — disse Lampião, sua voz suave. — Posso ajudar. O escuro não é tão assustador quanto parece. É apenas um lugar onde a luz ainda não chegou, mas ele também tem sua própria beleza.
Aurora olhou para Lampião, um pouco hesitante. Mas a preocupação com Capitão Fofinho era maior que seu medo.
— Mas é tão escuro lá dentro, Lampião. Não consigo ver nada! — falou Aurora.
— Venha comigo! — convidou o vagalume, acendendo sua lanterna natural com mais intensidade. — Vou te mostrar que o escuro pode ser interessante.
Lampião voou lentamente para dentro do túnel, e Aurora, com um suspiro profundo de coragem, o seguiu. Ciclone os acompanhava, soprando suavemente para limpar o caminho. Lá dentro, a luz de Lampião dançava nas paredes úmidas, revelando musgos brilhantes e pequenos cristais que refletiam a luz em cores sutis.
— Veja, Aurora! Não está completamente vazio. — disse Lampião, apontando para as paredes.
Eles caminharam um pouco mais, e Lampião mostrou a Aurora as silhuetas de besouros noturnos trabalhando silenciosamente e o brilho fraco de cogumelos fosforescentes. O ar fresco do túnel trazia cheiros de terra molhada e folhas. Aurora percebeu que o silêncio não era assustador, mas sim um convite para ouvir os pequenos sons da noite: o gotejar da água, o farfalhar das folhas trazido por Ciclone, o canto distante de um grilo.
Lampião, então, a levou até uma pequena reentrância onde o Capitão Fofinho estava aninhado, parecendo esperar por eles. Aurora o pegou com carinho, sentindo uma nova sensação de vitória. Ao saírem do túnel, de volta à clareira iluminada pela lua, Aurora sentia algo diferente. Seu medo do escuro não havia sumido completamente, mas agora ela sabia que o escuro não era um monstro, mas um lugar de mistérios e belezas escondidas, e que com um amigo como Lampião e a sua própria coragem, ela podia explorá-lo.
— Obrigada, Lampião! Obrigada, Ciclone! — disse Aurora, abraçando seu boneco. — O escuro não é mais tão assustador. Agora sei que tem um brilho escondido.
E daquele dia em diante, Aurora continuou a amar a luz do dia, mas passou a ver a noite com um olhar de curiosidade e aventura, sabendo que cada escuridão guardava um segredo esperando para ser descoberto.



















