No coração de um Brasil exuberante, escondido entre montanhas de pedra rosa que beijavam o céu, existia o Vale das Cores Vivas. Ali, cada planta, cada folha, cada fruto brilhava com tons que pareciam ter sido pintados pelo próprio arco-íris. Era um lugar onde o ar cheirava a terra molhada e frutas maduras.
Em meio a essa beleza, vivia Zeca, um menino de olhos curiosos e cabelos rebeldes que pareciam querer escapar de sua cabeça a todo momento. Zeca adorava explorar, mas, quando se tratava de comida, ele era um pouco teimoso. Sua refeição preferida era sempre a mesma: um pãozinho com queijo e suco de laranja. Mamãe sempre dizia: Zeca, o mundo está cheio de sabores esperando por você!. Mas Zeca balançava a cabeça, satisfeito com o que já conhecia.
Um dia, enquanto Zeca brincava de esconde-esconde com Tico, um sagui esperto e travesso que adorava subir em árvores e roubar frutas com um sorriso, eles avistaram uma figura que conheciam bem: Dona Flora. Ela era a botânica e cozinheira mais respeitada do Vale, uma mulher de sorriso doce, cabelos grisalhos sempre presos em um coque e um avental de jardinagem que parecia ter visto todas as colheitas do mundo. Dona Flora estava em um cantinho secreto do vale, colhendo frutos estranhos e folhas de um verde que Zeca nunca tinha visto.
Dona Flora! exclamou Zeca, aproximando-se. O que a senhora está fazendo com todas essas cores?.
Olá, meus pequenos exploradores! disse Dona Flora com uma voz suave. Estou preparando um banquete de cores para o nosso piquenique da tarde. Querem me ajudar a colher?.
Zeca hesitou. Um piquenique? Mas o que terá para comer?.
Dona Flora piscou um olho. Teremos tudo o que o nosso querido Vale das Cores Vivas nos oferece! Coisas que nunca provaram antes, prometo!.
Tico, que já estava de olho em um cacho de pequenas bagas azuis brilhantes, soltou um guincho de alegria e pulou na direção da árvore. Zeca, contagiado pela empolgação do amigo e pela curiosidade, resolveu aceitar.
Juntos, colheram uma variedade incrível de alimentos. Havia morangos roxos que pareciam joias, vagens de ervilha gigantes com um sabor adocicado surpreendente, folhas de alface vermelhas como o pôr do sol e um tipo de abóbora amarela com pintinhas verdes, tão macia que parecia uma nuvem.
Na hora do piquenique, Dona Flora arrumou uma toalha florida à sombra de uma árvore gigante, cujas folhas mudavam de cor a cada hora do dia. Ela preparou um monte de pratos coloridos: uma salada de arco-íris com molho de sementes, espetinhos de frutas que brilhavam, pasta de grão de bico com pão integral feito com trigo do próprio vale, e um suco de frutas vermelhas tão vibrante que parecia energia engarrafada.
Zeca olhava com desconfiança para os pratos. Cadê meu pãozinho com queijo?.
Dona Flora sorriu. Hoje, vamos nos aventurar nos sabores da terra. Cada um desses alimentos tem um superpoder! As ervilhas te dão energia para correr, as frutas deixam você forte e as folhas ajudam a sua mente a ficar esperta.
Tico já estava se deliciando, fazendo barulhinhos de aprovação a cada mordida. A curiosidade de Zeca venceu o receio. Ele pegou um espetinho de frutas roxas e verdes. Hummm! Ele exclamou, os olhos arregalados. É doce e azedinho ao mesmo tempo!.
Depois, provou a pasta de grão de bico. Que gostoso! Parece um creme de nozes, mas é diferente.
Dona Flora explicou a Zeca sobre a origem de cada alimento, como eles cresciam com o sol e a chuva, e como eram importantes para a saúde. Ela disse que comer alimentos da natureza era como abraçar a própria terra. Zeca comeu tudo, descobrindo novos sabores a cada garfada, percebendo que comer bem podia ser uma aventura deliciosa. Ele sentiu uma energia diferente, leve e feliz.
Desde aquele dia, o prato de Zeca nunca mais foi o mesmo. Ele passou a pedir à mamãe para experimentarem novos vegetais e frutas, e sempre ajudava Dona Flora na horta. Ele até ensinou Tico a plantar algumas sementes. Zeca descobriu que a verdadeira aventura não era só explorar o vale, mas também explorar os infinitos sabores que a natureza oferece, e que compartilhar essas descobertas com amigos era ainda mais delicioso. E assim, o Vale das Cores Vivas continuou a nutrir não só o corpo, mas também o espírito de seus moradores, com a alegria de uma alimentação vibrante e colorida.