Na vibrante Floresta Sussurrante, onde riachos cantavam e flores desabrochavam em mil cores, vivia Lipe, uma lontra com um pelo tão cintilante quanto um arco-íris depois da chuva. Lipe era conhecido por sua curiosidade insaciável e por nunca recusar uma aventura. Certo dia, um estranho silêncio pairou sobre a Montanha da Voz Eterna. Antes, a montanha emitia sons suaves, como canções ou sussurros de antigas histórias, mas agora estava muda.
Preocupado com o mistério, Lipe decidiu investigar. Enquanto seguia um riacho que serpenteava em direção à montanha, encontrou Nina, uma pica-pau de penas luminosas que estava bicando uma árvore, mas com uma expressão confusa.
Não ouço mais o canto da montanha, disse Nina, com sua voz aguda. Parece que ela perdeu a voz.
Eu também percebi, respondeu Lipe, seus olhos coloridos cheios de determinação. Precisamos descobrir o que aconteceu.
Juntos, Lipe e Nina procuraram Barão, o jabuti ancião cujo casco era um mapa vivo de toda a floresta. Barão estava meditando sob uma Figueira centenária.
Barão, a Montanha da Voz Eterna está silenciosa, disse Lipe, com urgência.
Sabemos que o som da montanha vem de um cristal vibrante, escondido em suas profundezas, refletiu Nina.
Barão abriu lentamente um de seus olhos sábios. Sim, o Coração Sonoro da montanha, murmurou ele. Ele não pode ser perdido. Deve estar apenas adormecido.
Guiados pelos desenhos no casco de Barão, Lipe e Nina iniciaram a subida pela montanha. A trilha era íngreme, e eles tiveram que atravessar um riacho turbulento saltando sobre pedras escorregadias. Lipe, com sua agilidade de lontra, ajudou Nina a passar. Em seguida, entraram em uma caverna escura e úmida. As penas de Nina emitiam uma luz fraca, iluminando o caminho. Eles se apoiaram um no outro, com coragem, avançando no desconhecido.
No coração da caverna, encontraram uma câmara subterrânea. Lá, o Grande Cristal Sonoro estava, mas não brilhava. Estava coberto por uma camada espessa de um musgo verde-azulado, macio e silencioso.
É o Musgo Silenciador, sussurrou Nina. Ele absorve todo o som.
Lipe, com muito cuidado, começou a remover o musgo delicadamente, pedacinho por pedacinho. Nina o ajudava, usando seu bico para soltar as partes mais teimosas. À medida que o musgo era retirado, uma vibração suave começou a emergir do cristal. Primeiro, um zumbido quase inaudível, depois um suave murmúrio, e então, uma melodia doce e acolhedora preencheu a câmara. A Montanha da Voz Eterna estava cantando novamente.
Lipe e Nina saíram da caverna, sentindo a melodia da montanha ecoar por toda a Floresta Sussurrante. Eles haviam não apenas encontrado a voz da montanha, mas também aprendido a importância de ouvir e cuidar dos pequenos detalhes da natureza. A amizade deles se fortaleceu, e a floresta, mais uma vez, cantou em harmonia, cheia das histórias sussurradas da Montanha da Voz Eterna.