Era uma vez, numa casa cheia de luz e plantas, moravam três amigos muito especiais. Pipoca era uma calopsita tagarela, com penas amarelas brilhantes e bochechas cor de pêssego. Ele adorava voar pela sala e contar tudo o que via. Bolota era um hamster rechonchudo, de pelo marrom-claro e olhos esbugalhados. Bolota era um pouco medroso, mas seu coração era enorme. E Lico, o porquinho-da-índia, era um aventureiro guloso, com pelo em tons de marrom e branco, sempre farejando novas delícias e confusões.
Certa manhã, enquanto Clara, a humana deles, lia um livro no sofá, Pipoca fez uma descoberta incrível. Voando perto da janela, ele viu algo que nunca tinha visto antes.
Olhem! Olhem! – grasnou Pipoca, batendo as asas com entusiasmo. – Uma ilha! Uma ilha no céu!
Bolota, que estava roendo um pedaço de cenoura, parou e olhou para a janela, arregalando os olhos. Uma ilha flutuava suavemente, como um pedaço de nuvem verde. Lico, que cochilava em sua toca, levantou o narizinho e cheirou o ar, intrigado.
Uma ilha? No céu? – chiou Bolota, encolhendo-se um pouco. – Mas como vamos chegar lá? É muito alto!
Pipoca pousou no ombro de Lico, balançando a cabeça.
Não se preocupem, amigos! Onde há curiosidade, há um jeito!
De repente, Clara deixou cair um pote com líquido de bolhas gigante. Uma bolha enorme se formou e flutuou perto da janela. Pipoca teve uma ideia brilhante.
Já sei! – gritou ele. – Vamos usar a bolha!
Com muito cuidado e trabalho em equipe, os três amigos conseguiram entrar na bolha cintilante. Pipoca usou suas asas para criar um leve vento e direcionar a bolha para a ilha flutuante. Bolota, embora nervoso, segurou-se firme no pelo de Lico, que estava extasiado com a aventura.
Quando a bolha tocou a ilha, ela estourou suavemente, e os amigos pousaram em um tapete de musgo que brilhava em tons de verde e azul. A ilha era um lugar maravilhoso! Havia plantas com folhas que pareciam feitas de cristal e um riacho de néctar dourado escorrendo por uma pequena cascata. Lico, claro, correu para o riacho e lambeu um pouco do néctar.
Que delícia! – guinchou Lico, com a boca toda suja de doce.
Mas logo eles perceberam que o riacho era um pouco pegajoso e atravessá-lo seria um desafio. Bolota, com sua observação aguçada, notou que algumas pedras cobertas por musgo brilhante pareciam secas o suficiente para pisar.
Por aqui! – apontou Bolota, mostrando um caminho seguro. – Com cuidado!
Eles atravessaram o riacho pegajoso, um ajudando o outro. Pipoca guiava do alto, Lico testava as pedras com o nariz, e Bolota, com sua cautela, garantia que ninguém caísse.
Enquanto exploravam, descobriram que as plantas da ilha se moviam suavemente, como se estivessem dançando. Uma delas, com pétalas grandes e coloridas, indicou um caminho com suas folhas. Curiosos, eles a seguiram.
Chegaram a um claro onde havia sementes de todos os tamanhos e cores. Algumas pareciam pequenas esferas de joia, outras eram como minúsculas hélices. As plantas da ilha pareciam coletar essas sementes e, em dias de vento, as espalhavam pelo mundo para manter a vida e a beleza por toda parte.
Os amigos perceberam que podiam ajudar. Pipoca voou, gentilmente balançando os caules que seguravam as sementes. Lico usou seu nariz para empurrar as sementes maiores para o vento. E Bolota, com cuidado, pegou algumas sementes pequenas com a boca e as depositou em um local onde o vento as alcançaria melhor.
Com a missão cumprida e o sol começando a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e roxo, os amigos sabiam que era hora de voltar para casa. Eles encontraram outra bolha de sabão, que se formou de forma curiosa de uma planta especial, e flutuaram de volta para a janela de sua casa.
Exaustos, mas cheios de alegria, Pipoca, Bolota e Lico se aconchegaram em suas camas. Eles haviam vivido uma grande aventura, superado seus medos, trabalhado em equipe e aprendido que a curiosidade pode nos levar a lugares incríveis e a descobertas maravilhosas. A amizade deles havia se tornado ainda mais forte, e o mundo, para eles, era agora um lugar ainda mais cheio de possibilidades. E quem sabe que outras ilhas flutuantes apareceriam um dia?