Júlia era uma menina com ouvidos atentos e um coração cheio de curiosidade. Ela morava perto de uma floresta que não era como as outras. Era a Floresta Sinfônica, um lugar onde cada folha que caía, cada gota de orvalho que escorria e cada brisa que sussurrava criava uma melodia única. Mas ultimamente, a sinfonia estava desafinada. Sons estranhos e rangidos roucos começaram a sobrepor os acordes suaves da natureza.
Preocupada, Júlia decidiu investigar. Ela chamou seu amigo Bento, um tucano esperto e colorido, com um bico grande e olhos que viam tudo. Bento conhecia cada canto da floresta.
Vamos, Bento! A sinfonia está pedindo ajuda, disse Júlia, com um sorriso determinado.
Bento voou à frente, guiando Júlia por entre cipós e árvores gigantes. Enquanto caminhavam, eles ouviram um miado baixinho. Atrás de um arbusto de samambaias, estava Corajoso, um filhote de onça-pintada, com as orelhas abaixadas e um olhar assustado.
O que houve, Corajoso? perguntou Júlia, gentilmente.
Os sons, disse o filhote, tremendo um pouco. Eles estão vindo do rio. Está tudo diferente.
Júlia e Bento se entreolharam. O rio, que sempre cantava uma canção suave, agora gemia e borbulhava de forma estranha. Eles seguiram o som até a margem. A cena surpreendeu a todos: o rio estava repleto de pequenas rochas que haviam rolado de uma encosta próxima, bloqueando a passagem da água e alterando a melodia aquática.
A melodia do rio está presa! exclamou Júlia. Precisamos tirá-las!
Mas as rochas eram muitas e pesadas para Júlia sozinha. Corajoso, vendo a determinação de sua amiga, sentiu uma pontada de bravura crescer em seu peito. Ele se aproximou e, com suas patinhas fortes, começou a empurrar as rochas menores. Bento, com seu bico forte, ajudava a desencaixar as pedras que estavam mais presas. Júlia, com cuidado, pegava as rochas e as colocava de volta na encosta, longe do rio.
Eles trabalharam juntos, cada um usando suas habilidades. O sol começou a se pôr, pintando o céu de laranja e roxo. Aos poucos, o rio foi liberado. A água começou a fluir livremente novamente, e a canção suave do rio voltou, mais límpida e alegre do que antes. A Floresta Sinfônica, como que agradecendo, voltou a emitir seus sons harmoniosos. As folhas sussurravam, os pássaros cantavam suas melodias e o vento assobiava uma canção de paz.
Corajoso, que antes estava com medo, agora rugia de alegria, sentindo-se orgulhoso por ter ajudado. Bento piou contente, balançando a cabeça. Júlia sorria, feliz por ter visto a floresta voltar à sua perfeita sinfonia. Eles aprenderam que, cuidando do meio ambiente e trabalhando em equipe, a natureza sempre nos recompensa com sua beleza e harmonia. E assim, a Floresta Sinfônica continuou a encantar a todos com sua melodia, lembrando a importância de cada um fazer a sua parte para proteger nosso lar.



















